DE BEM COM A VIDA
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 2003
Luka Morais<br>Reportagem Local 
Estudos comprovam que pessoas otimistas, bem humoradas e que costumam rir com frequência vivem mais e melhor. Além disso, têm maior facilidade de se relacionar com os outros e de resolver os problemas. É o caso do soldado do Corpo de Bombeiros Israel Justino, 36 anos, há 17 na corporação, que sempre é solicitado para funções que os colegas costumam rejeitar. Toda vez que precisam de uma ''vítima'' para simulações de acidentes e incêndios ele é chamado. E topa no ato. ''Eu levo a vida numa boa porque gosto do que faço'', diz, sorridente.
Rotulado pelos colegas de trabalho de ''meio louquinho'', Israel diz que faz parte de sua natureza ser brincalhão, gostar de rir e de conversar com as pessoas. ''Não sou leva e traz e procuro me dar bem com todo mundo'', ele conta. Essa característica, segundo o bombeiro, foi decisiva na escolha da profissão. ''Me sinto realizado porque gosto de ajudar as pessoas''.
O soldado mora com o pai e as irmãs que, segundo ele, são pessoas fáceis de se relacionar. ''O mais agitado lá em casa sou eu mesmo'', diz. Ele conta que logo ao acordar se olha no espelho para se admirar. ''Eu olho fundo nos meus olhos e digo: hoje eu tô legal!''.
Além de extrovertido, Rael, como é chamado pelos colegas da corporação, tem sorte. Ele é o organizador dos bolões quando o prêmio da megasena fica acumulado. O grupo já faturou alguns prêmios. ''Aqui é só alegria'', resume o soldado, que em breve será promovido a cabo. ''Depois de 200 anos eu consegui'', brinca.
Conviver com pessoas de alto astral é um privilégio, afirma a secretária Maria Helena Pagnan Costa, que trabalha no consultório do cirurgião vascular José Manoel da Silva Silvestre. Ela confidencia que, em nove anos de trabalho na clínica, nunca viu o médico de mau humor ou nervoso a ponto de, como é comum nas relações de trabalho, descontar o estresse nos demais. ''É uma pessoa que está sempre de bom humor, agradável e educada'', diz ela. Na opinião da secretária, trabalhar com pessoas que sabem como se relacionar é uma grande vantagem.
Questionado sobre o bom humor, o médico José Manoel Silvestre, 44 anos, que está com a agenda lotada até janeiro, afirma que estar de bem com a vida é uma ''dádiva de Deus''. Ele diz que, apesar dos compromissos e das exigências profissionais, sempre tem uma postura positiva em relação às coisas que acontecem. ''Você deve encarar a vida como ela é e não como você quer que seja. Tenho problemas como todo mundo mas costumo pensar que em pouco tempo eles irão embora.'' O médico, segundo revela a secretária, costuma rir com os pacientes, contando piadas e fazendo brincadeiras. Silvestre confirma: ''Até no centro cirúrgico a gente conta piada para descontrair''.
Outro que sempre tem uma piada para contar é o porteiro Benedito de Souza, 70 anos, morador na zona norte. Quando percorre as ruas do Vivi Xavier brinca com os conhecidos e acaba assediado pelas crianças que gostam de ouvir seus ''causos''. Seo Dito gosta de contar piadas de salão para que todos se divirtam e reserva as apimentadas para as rodas de bar.
Saúde perfeita, o porteiro acredita que pessoas ranzinzas e mau humoradas devem ser evitadas, assim como as que costumam ofender os outros. ''Eu já fui chefe de sessão e nem por isso me achei no direito de tratar mal quem quer que seja. Pelo contrário, quando precisava chamar a atenção fazia isso com toda educação'', conta.
Na opinião do porteiro, que já trabalhou como marceneiro e em empresas de metalurgia, viver de bom humor e sorrir muito são receitas contra o fardo que as pessoas costumam carregar. ''Tem gente que por um problema financeiro pensa em tirar a vida. A gente não é dono dela e não tem esse direito. O melhor é levar a vida em paz e com tranquilidade'', ensina.


