De agressor a vítima
Quando se trata de violência contra a mulher, o povo brasileiro adota um discurso ambíguo. Se por um lado, a maioria concorda com a ideia de que o marido ou companheiro que bate na esposa deve ir para a cadeia, por outro, a mesma maioria acredita que as mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.
Esse discurso confuso surpreendeu os técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que entrevistaram 3.819 pessoas para o estudo do Sistema de Indicadores de Percepção Social sobre a tolerância social à violência contra as mulheres. Os entrevistados são residentes em 212 municípios e o questionário foi aplicado entre maio e junho de 2013.
Segundo o Ipea, 65% dos entrevistados disseram concordar com a frase "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", algo que deixa claro para autores do trabalho a forte tendência de culpar a mulher nos casos de violência sexual.
Em relação à frase "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros", 35,3% disseram estar totalmente de acordo e 23,2% afirmaram concordar parcialmente.
Ou seja, a maioria dos entrevistados pode nem se dar conta, mas está claro que considera a violência contra o sexo feminino como uma forma de correção. Para o brasileiro, a mulher merece ser agredida por usar roupa provocante ou por não saber se comportar.
Seguindo esse raciocínio, as vítimas seriam os homens que não conseguem controlar seus apetites sexuais diante de mulheres que usam uma roupa mais curta ou decotada.
Seria uma ilusão acreditar que somente a educação vai transformar esse pré-conceito já enraizado na cabeça do homem brasileiro, principalmente os mais velhos. Para essa situação, há apenas uma saída: o rigor da lei para quem pratica qualquer ato de violência contra a mlher, seja agressão física ou psicológica.





