Darwinismo empresarial - Rodrigo Alexandre Gomes de Oliveira
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de outubro de 1998
Rodrigo Alexandre Gomes de Oliveira 
Ao fazermos uma alusão ao darwinismo, queremos mostrar que no novo macrocosmos empresarial sobreviverão apenas os mais fortes e preparados para a luta. Muitas vezes de forma desleal. Podemos citar como exemplo, a concorrência da indústria têxtil nacional para com a indústria têxtil chinesa. O maior valor agregado de produção chinesa é o dumping social presente naquele país. Concorrer com tal fator de enxugamento de custo é muito difícil para qualquer indústria do setor.
Charles Robert Darwin elaborou a teoria da evolução orgânica, mas conhecida como a teoria da seleção natural. Ele defendia a idéia de que apenas os indivíduos mais fortes de cada espécie sobreviveriam para constituir descendentes. Os indivíduos fracos pereceriam naturalmente e morreriam, por fome ou abatidos por outros animais. Exatamente isso está acontecendo com o mundo dos negócios.
Com a abertura mundial dos negócios, mais conhecida como globalização, as empresas precisam se preparar de uma maneira melhor para a concorrência. Se elas não o fizerem, sofrerão a seleção natural citada por Darwin e permanecerão a margem das demais empresas de sua espécie já preparadas e com forças para lutar.
Diferente dos animais que tinham que lutar sozinhos para sobreviver, as empresas que não estiverem preparadas tecnologicamente poderão tentar uma união (joint venture) com os gigantes do setor e evitar desta forma a própria extinção. Tal união deverá ser feita de uma maneira cuidadosa, principalmente levando em cota que uma joint venture, se feita de maneira errada, poderá ser o primeiro passo para tal extinção, pois o parceiro gigante o engolirá literalmente.
O tempo da expressão macaco velho (com todo o respeito aos primatas) acabou. As empresas que tinham um mercado certo e seguro precisam repensar seus métodos de produção e comercialização, procurando se consolidar em um mundo onde as barreiras de tempo, espaço e mercado regional caíram há muito tempo.
Chegou a hora do empresário brasileiro perceber que a administração, ao contrário do que se pensa, não é uma matéria estática com fórmula de sucesso preestabelecida. Existe cada vez mais a necessidade da presença de um profissional formado em administração de empresas nas mesmas. Este profissional é a pessoa mais indicada e melhor preparada para identificar problemas e apresentar soluções. O que deu certo para o avô ou o pai não funciona necessariamente nos dias de hoje. Atualmente, a administração é uma ciência de sinergia assustadora, até mesmo para as mais bem preparadas equipes.
E, como diz o guru da administração moderna, Charles Handy: Não devemos permitir que nosso passado, por mais glorioso que seja, interfira em nosso futuro.


