Dar solução mais inteligente para o lixo
Uma fórmula inteligente de solucionar o problema do lixo nas cidades brasileiras é a reciclagem e a usinagem desse material, mas é um processo pouco adotado, mais por desconhecimento de suas vantagens. Predomina a primitiva prática de amontoar esses detritos na periferia ou aterrá-los, com inconvenientes como mau cheiro, contaminação do solo e da água pelo chorume (que é cancerígeno), proliferação de insetos e doenças.
Londrina produz diariamente 300 toneladas de lixo, incluindo o orgânico, que é o mais problemático e representa 60% do total. Os recicladores tiram disto sua renda e existe até um programa bem estruturado nesse sentido, mas agora com a crise até a cotação desse material caiu, e os ganhos que giravam em torno de R$ 400/mês por pessoa está em R$ 100, tornando desestimulante o negócio. Mas existem soluções já consolidadas, que são as usinas de separação e de transformação.
Esses processos modernos convertem o lixo orgânico em adubo e separam plásticos, papéis, vidros, metais, que são vendidos a indústrias pertinentes. As localidades pequenas do interior dão o que é orgânico para os animais, já a partir da cozinha, e os restante ou é vendido ou incinerado. Nas cidades o comportamento é outro, por isso o caminho é dar destinação mais útil para esses dejetos, que prensados, picotados ou transformados em adubo resultam em renda, com a vantagem de eliminar os fétidos aterros ou as montanhas expostas de lixo. Os catadores poderiam ser engajados nesse processo. O então prefeito José Richa tentou implantar a mecanização em Londrina e trouxe de fora técnicos especializados nessa tecnologia; visitou - em companhia da reportagem deste Jornal - uma usina em Brasília, mas o tempo foi passando, o mandato encerrou-se e a idéia não vingou. Agora que um novo prefeito vai assumir, é importante 'revisitar' a usina de compostagem que o município comprou e pagou na administração de Luiz Eduardo Cheida e que está guardada desde 1996 na fábrica, em Cornélio Procópio.
Esse equipamento custou R$ 900 mil, e se não é tão sofisticado quanto as usinas mais eficientes, pode eliminar 40% do lixo orgânico pela compostagem. Colocar em atividade esse equipamento não invalida que se busque sistemas mais avançados, que existem por exemplo nos Estados norte-americanos do Texas e da Flórida. E aqui na pequena cidade paranaense de Tibagi uma dessas unidades está sendo montada. Há um destino mais civilizado para o lixo. Basta ir em busca de ver como funciona e adotá-lo.





