Dar proteção à cadeia produtiva
A comunidade empresarial, por conhecer na prática e sentir na pele as implicações de gerir um negócio, forma hoje o setor mais consciente e mais acreditado do Brasil. Os governantes deveriam consultá-los continuamente (mais a eles que aos políticos) e os legisladores fariam bem em beber dessa fonte de experiência para assim elaborar leis sábias que lhes dessem garantias. As instituições específicas precisariam conscientizar-se da função sócio-econômica dessa laboriosa classe e não se aterem a frias interpretações da lei, que às vezes podem provocar mais dano que benefício em favor da causa comum. Os legalistas ortodoxos obteriam com eles preciosas informações para um mais humano exercício de suas atribuições, e assim por diante. Ocorre que na atividade empresarial não há meias-verdades, porque ali a realidade se manifesta. Ou a empresa é lucrativa e gera empregos, lucros e dividendos, beneficiando assim a um maior número de pessoas, ou não progride e tem de fechar as portas. Impera no Brasil, junto a setores com poder de decisão e a segmentos retrógrados, a mentalidade equivocada de que o empresário seja ainda um ''senhor de engenho'', que quer pagar mal seus trabalhadores ou que os considere escravos. Certamente que esse tempo já se foi, só restando alguns rincões perdidos da pátria onde o feudalismo ainda viceja. No Brasil o empresário rural é visto, por correntes vesgas, como um rico e gorducho latifundiário, sabendo-se que mesmo os produtores de escala não são isso, nem são causadores de mal algum à pátria, e sim, pelo contrário, grandes servidores, tanto os grandes quanto os médios e pequenos. Na soma geral eles compõem a vigorosa força de trabalho que gera empregos, paga impostos, garante o alimento na mesa dos patrícios e ainda serve à causa da exportação. O empresário industrial situa-se na mesma linha, porque também garante empregos, é grande contribuidor da receita tributária e incrementa o crescimento econômico do País. O empresário do comércio representa a extensão da indústria, porque sem ele a mercadoria não chega ao consumidor, e ademais é grande fornecedor de vagas de trabalho. Outros empresários que prestam serviços de várias naturezas são igualmente valiosas ferramentas de melhoria de vida e de bem-estar social. Mas no seio da comunidade governamental, no círculo político, no comando sindical e em outras instituições, a tendência é classificar empresários como endinheirados que exploram trabalhadores. Como esse operante exército de capitães de empresas grandes e pequenas não domina artimanhas políticas e nem saberia valer-se delas, triunfa soberano o poder dos que estão à margem do processo e observam à distância. São justamente estes os que impõem a pesada carga tributária aos que produzem, que os molestam com punições fiscais e com desnecessária burocracia, mantém leis inadequadas e prejudiciais a quem trabalha e produz, quando deveriam contemplá-los com facilitações, porque são eles que seguram a barra deste país. Deveriam eles, então, ser tratados com mais reverência e cercados de mais garantias, para produzirem com segurança e tranquilidade. Aos governos e às instituições deveria ser reservada apenas a tarefa de serem os guardiães do ordenamento institucional. É tempo de repensar a validade da classe produtora e cercá-la de protecionismos pertinentes. Quando esse imprescindível setor da vida nacional for valorizado o Brasil dará um salto de qualidade e se libertará das misérias sociais e das mazelas que robustecem a divisão de classes.





