Dar prioridade ao produtor rural
Dívidas dos agricultores vieram sendo prorrogadas, mas assim mesmo elas vão se vencendo e eles não as vencem. Por isso, continuam seus manifestos, em conclamação pública como a de terça-feira em Rolândia. Ali estavam reunidos produtores rurais de vários municípios do Norte do Paraná, que colocaram seus tratores diante da agência do Banco do Brasil, paralisaram o centro da cidade e protocolaram um pedido de elasticidade dos débitos de financiamento. Ato idêntico ocorreu em Maringá, contando com o apoio de caminhoneiros. As razões do desesperado apelo dos produtores rurais são a quebra de safras em até 50%, em função das secas passadas; as dívidas anteriores, um problema que não se resolveu com prorrogações, porque no dia de pagar faltou o dinheiro; a queda de preços dos seus produtos (soja, milho, trigo) e a alta dos insumos, com os custos de produção superando a receita. É impossível produzir com prejuízo, especialmente num setor vital como o do campo, frágil por natureza porém responsável pelo abastecimento do mercado consumidor. Disso não se dá conta o Governo. Com a agricultura sempre houve esse descaso e negligências estratégicas, como a de nunca liberar o montante de financiamento necessário e disponibilizar recursos fora de época. Este é um setor produtivo que não pode esperar por atendimentos tardios, porque sujeito a tempo certo de plantio e a frustrações de colheitas, motivadas pelas condições do tempo. A história da agricultura brasileira é a história de grandes sacrifícios, de baixos ganhos e de desatenção governamental. Após entregar a lista de reivindicações ao banco, em Rolândia, o porta-voz dos manifestantes, Moacir Canônico, declarou enfaticamente: Não somos caloteiros, queremos pagar mas precisamos de novos prazos. Para essa atividade estratégica todos os prazos que se lhe conceder, para liquidar débitos, são ainda poucos. O Governo, em outra ocasião, dilatou prazos de dívidas dos agricultores, mas eles não puderam cumprir o novo acordo, pelas razões expostas. Há, portanto, que negociar sempre, e renegociar, porque se os produtores rurais capitularem o prejuízo para a nação será infinitamente maior, porque as cidades também serão afetadas. O que revolta é constatar que as mesmas reivindicações são continuamente apresentadas, e o Governo demora a dar a sua resposta positiva, ou a dá com atraso, ou nunca a dá. Não é nenhum demérito a agricultura dever ao banco oficial e não honrar, nos vencimentos, seus compromissos, se lhe faltam os meios. Porque é um negócio de risco e que necessita de assistência oficial constante, já que é vital para a economia, para a causa do emprego, da arrecadação tributária em seus diversos segmentos, e sobretudo para o atendimento dos consumidores que se servem do alimento que essa gente sofrida da roça produz. Socorrer o produtor rural é uma questão de segurança nacional e, mais que isso, de consciência.





