Tem-se afirmado que todo o atendimento que se dá ao produtor rural sempre resulta benéfico para ele próprio, para a comunidade, para a nação inteira e para a própria receita governamental. Os agricultores (pequenos, principalmente) ora prejudicados pelo granizo que assolou municípios do Norte do Paraná precisam ser socorridos. Porque eles, na maioria, estão endividados e a lavoura é a única fonte de renda. Um de seus pedidos no momento é que as dívidas de financiamento sejam prorrogadas.
Entre os muitos atingidos estão produtores de uva de mesa, pois é tempo de colheita, e a maior parte da safra foi perdida. Só em Uraí - segundo município do Paraná em produção, depois de Marialva - um produtor perdeu 100 toneladas por causa do temporal, representando um prejuízo de quase R$ 200 mil. Para fazer-se um cálculo, a previsão na área atingida era colher 6 milhões de toneladas, de abril a agosto, mas agora não se sabe com precisão o que sobrou. A proteção dos parreirais não é total, por causa do alto custo (R$ 40 mil por alqueire), mas a última chuva de granizo alerta que é preciso fazer esse investimento. Os órgãos governamentais - que dispõem de faixas de crédito para a agricultura - devem facilitar sem grande burocracia os respectivos empréstimos, e os assistentes técnicos do setor precisam conscientizar os produtores rurais acerca dessa necessidade. Porque com cobertura - a denominada sombrite - não há risco. É investimento que compensa, porque os temporais são imprevisíveis, e a cobertura também protege contra os insetos. Os produtores sabem de tudo isso, mas a falta de recursos e também a imprevidência resultam em grandes prejuízos, mais difíceis de recuperar na atividade do campo. Sabe-se que os núcleos regionais da Secretaria da Agricultura e da Emater estão fazendo levantamento dos estragos.
Mas não foram só os produtores de uva. Também horticultores tiveram suas plantações devastadas. Para aqueles que perderam tudo, só dentro de dois meses haverá reposição das hortaliças, isto se tudo correr bem (a uva demora bem mais). Esse período longo gera apertura financeira e intranquilidade. É como se uma fábrica perdesse sua produção e ficasse 60 dias sem vender nada, ou se um trabalhador ficasse desempregado por esse tempo. Porque as dívidas, os novos gastos e a necessidade de sobrevivência continuam, sem descanso.

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