O time de futebol de uma cidade interessa tanto à comunidade quanto as necessidades sociais, então não se pode desprezar esta realidade só pelo fato de haver outras coisas sérias a tratar. Se algo é de valor para os cidadãos, para ali devem voltar-se as atenções. Na maioria, ou quase totalidade, dos municípios brasileiros, os respectivos times de futebol (onde eles existem) estão economicamente mal e não fazem a glória dos sempre sofridos torcedores, mas isto se deve ao fato de que esta é realmente uma atividade de difícil manutenção. Se o time vai bem em campo, sua situação financeira melhora, mas como nem todos podem ser campeões permanentemente, chegam os momentos de crise, que têm muito a ver com escassez de dinheiro e com dívidas. Ocorre que no Brasil o preço de um bom jogador de futebol é alto, por causa da concorrência de grandes clubes nacionais e internacionais, estes importando futebolistas a preços de ouro e pagando-lhes atraentes salários, além do valor dos passes e da fama mundial que lhes proporcionam. Bom para eles, jogadores. O futebol, símbolo de poder para cidades e países e também poderoso agente econômico pela movimentação paralela de volumosos capitais, num infinito campo de serviços vai ganhando importância cada vez maior no mundo. E, paradoxalmente, os clubes pequenos continuarão sendo os grandes produtores e reveladores de craques para abastecer os grandes clubes, enquanto eles próprios os pequenos vêem estreitar-se o próprio gargalo de sobrevivência. Este o meritório estigma do ''futebol varzeano'' brasileiro, mas que nem por isso perecerá. Todas estas avaliações são para chegar ao drama londrinense do seu time tradicional, o Londrina Esporte Clube, que vive sufocos desde sua fundação, em abril de 1956, portanto já chegando ao meio século. Rebaixado agora para a terceira divisão nacional e tendo sede na terceira mais importante cidade do sul do Brasil, este último ranking ufana os cidadãos mas aquele outro terceiro escalão não lhes agrada. Sexta-feira, para não ver o time ser extinto por falta de presidente, um voluntário apresentou-se, como medida salvadora, mas a crise deverá continuar por algum tempo, porque as questões a resolver são muitas, a maior delas o desencanto que tomou conta da torcida. A verdade é que a comunidade deve mobilizar-se, e não apenas a legião de torcedores mas também as lideranças locais, em busca de caminhos de solução. Não há como escapar da fórmula consensual de que o clube precisa ter característica empresarial. Há que abandonar o velho sistema de assistencialismo, porque empresas e colaboradores individuais também estão exauridos, por muitas razões. Porém, cada cidadão amante do velho time e da cidade pode colaborar. Uma forma seria através do lançamento de contribuições na conta telefônica. Se tal não irá resolver totalmente o problema, será de apreciável valia. Não há que haver, no momento, preocupação com os resultados do time em campo. O caminho é uma política profissional de consultoria e gerenciamento, que, capitaneada pelo novo presidente, deve ser confiada a especialistas. A renúncia de créditos trabalhistas por parte de empregados, total ou parcial, será uma louvável medida de doação, até porque a empresa empregadora praticamente inexiste, pelo fato de não ter suporte financeiro para pagar essa conta. Se o futebol interessa à Londrina de 70 anos, seu time de futebol também ancião, de 50, não pode ser abandonado, até como medida de amparo por velhice... Com bom gerenciamento e contínua ajuda de todos, sem o caráter de assistencialismo, que é sempre temporário, esta é a trilha certa para a redenção do tradicional Londrina Esporte Clube. As alegrias em campo virão naturalmente, na continuidade.

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