Além de toda a criminalidade envolvida, da perda de arrecadação de impostos e contribuições e da concorrência desleal contra indústrias formalmente estabelecidas, o mercado de falsificação de medicamentos é especialmente grave porque provoca efeitos diretos na saúde da população. Crianças, idosos, doentes crônicos ou com doenças gravíssimas poderiam ser curados mais rapidamente se os produtos ingeridos tivessem procedência garantida.
Estimativas do Fórum Nacional de Combate à Pirataria indicam que as falsificações e produtos contrabandeados representam cerca de 20% do mercado total de medicamentos, o que aponta para uma sonegação de cerca de R$ 5 bilhões por ano. A porcentagem corresponde ao dobro da média mundial, que é de 10%, segundo a Organização Mundial de Saúde. É um mercado que chegou a faturar R$ 30 bilhões no ano passado, segundo a entidade.
Os números dimensionam a movimentação do mercado negro que, em muitos casos, passa despercebido pela população. No entanto, a cada farmácia lacrada pela Vigilância Sanitária – como ocorreu semana passada em Londrina – é importante que todos fiquem mais atentos a esse fato. A falsificação de remédios é considerada crime hediondo no Brasil com penas que podem variar de 10 a 15 anos de prisão. Importante considerar que o efeito de um produto falsificado no organismo humano pode ser inócuo ou provocar sérios danos à saúde.
Vale também salientar que a população deve fazer a sua parte. Comprar produtos em estabelecimentos confiáveis e que estejam em bom estado de conservação são atitudes indispensáveis à boa saúde. Além disso, também deve-se denunciar práticas suspeitas. Tanto as pessoas que adulteram como as que comercializam devem ser punidas rigorosamente. A população não pode ficar à mercê de práticas como essas, que causam prejuízos sérios e, em muitos casos, irreversíveis ao seu bem-estar e à qualidade de vida.

mockup