Dança do ventre
Uma menina nascida em uma comunidade árabe, é apresentada ao que é conhecido no ocidente como dança do ventre quando de sua menarca. Nesta ocasião, ela é retirada de seu mundo infantil (brincadeiras na rua, etc), e iniciada em diversos movimentos e exercícios que têm como objetivo o fortalecimento de seus órgãos reprodutores, músculos abdominais e internos das coxas, a fim de desenvolver um corpo forte para gestações tranquilas, partos naturais e menos dolorosos. Esta é a original função da dança.
Antes de se tornar mulher os órgãos reprodutores ainda não estão em funcionamento e muitas mudanças ainda acontecerão. Os exercícios da dança do ventre atuam principalmente nestes órgãos trabalhando contrações de diversos pontos que podem interferir no desenvolvimento e na maturidade sexuais da menina. Além disso, os movimentos ondulatórios e sensuais influenciam diretamente o psicológico da criança. A sexualidade e sensualidade têm seu tempo de acontecer e fluem naturalmente com a puberdade, forçá-las a acontecer, mesmo que inconscientemente, pode trazer sérias consequências.
O fato de a dança ter se aberto ao ocidente não nos dá o direito de atropelarmos uma cultura milenar e expormos nossas meninas à prática de exercícios só destinados a mulheres. O fato de a televisão mostrar crianças executando uma suposta dança do ventre não significa que isso seja bom ou benéfico, ou sim? As antigas tradições têm sua razão de ser, os movimentos da dança do ventre são muito eficientes e benéficos, mas, mal direcionados podem causar sérios danos ao funcionamento dos órgãos abdominais (reprodutores, digestivos, respiratórios), além de outros causados por qualquer exercício errado: coluna, ligamentos, articulações, etc.
Tudo na vida tem seu tempo, a gente espera para usar salto alto, maquiagem, para tirar carta de motorista, enfim... A dança do ventre também tem sua hora: é a partir da puberdade, criança é criança, a infância dura tão pouco, para quê encurta-la?
RAHMZA ALLI, professora de dança do ventre, Londrina
Roseana e o PFL
Ficamos transtornados sobre os acontecimentos que envolvem a governadora Roseana Sarney e seu marido, no escândalo da Sudam. A reação do PFL de querer se afastar do governo foi mesquinha, baixa, fazendo como Judas, traindo e manipulando a opinião pública sobre a verdade dos fatos. Se Roseana quer ser mesmo presidenta da República, ela e o PFL teriam que ser os primeiros interessados em esclarecer a verdade. O que ainda é mais revoltante é ver os deputados e senadores do PFL, que é um dos maiores partidos do Brasil, se acovardando à frente dos acontecimentos e tentando esconder debaixo do tapete as possíveis sujeiras que envolvem a família Sarney.
A população precisa dar um basta nessa situação. Nós não somos massa de manobra, em concordar com essa barbaridade. Se a Polícia Federal agiu da forma com que agiu é porque algo precisa ser esclarecido, doa a quem doer. A população está fazendo seu papel, precisamos acabar com esses coronéis que governam há vários anos alguns Estados como se fossem propriedade deles, como ACM na Bahia, Jader Barbalho no Pará e a família Sarney no Maranhão.
DIRCEU WARKEN, Barbosa Ferraz
Dia da mulher
O movimento das mulheres, sempre envolvendo trabalhadoras, como sempre também sofrendo repressões e perseguições, foi sendo construído aos pedaços, com manifestações em várias partes do mundo, como no final do século 19 e início do século 20, nos Estado Unidos, Europa e Rússia. Um fato importante foi o 2º Congresso Internacional das Mulheres Socialistas na Dinamarca, em 1910 e uma 1ª Manifestação do Dia Internacional da Mulher em março de 1911, que reuniu 1 milhão de mulheres nos EUA, Alemanha, Dinamarca, Suíça e outros países da Europa, com reivindicações objetivas: direito ao voto, fim da discriminação no local de trabalho, direito ao trabalho, segurança. O que fortaleceu a luta das mulheres ao longo da história foi a coragem de se posicionarem contra a exploração e a favor da emancipação feminina.
O dia 8 de março, para as mulheres, simbolicamente representa um espaço para celebrar lutas e conquistas, reivindicar, mostrar explorações e discriminações e principalmente impor-se como pessoa digna e de iguais direitos.
Que as homenagens e os contrastes apresentados pela mídia, ao lembrar a mulher, sejam um motivo de reflexão sobre a verdadeira condição feminina no mundo atual. E quem sabe um caminho para a verdadeira valorização do ser humano, que simplesmente gera para o mundo o que temos de mais importante a vida.
ESTELA MARIA FREDERICO FERREIRA, Londrina





