Da razão à intuição
Da razão
à intuição
Luiz Antonio Pedro
Na perspectiva globalizada da economia, onde se estuda a transição da sociedade capitalista para a sociedade do conhecimento, afirma-se que a mulher passará a ser o grande executor e gerenciador de atividades antes predominantemente do homem. Assim, é comum ouvirmos afirmações de que, tanto no campo político como no econômico, as coisas somente mudarão para melhor no momento em que as mulheres ocuparem os altos cargos dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo.
No campo do trabalho, onde a empregabilidade e ao mesmo tempo o medo do desemprego passa a ser o grande medo dos homens, é comum as empresas que aumentaram em muito o contingente de mulheres, bem como ocupando postos anteriormente exercidos somente pelos homens. É a razão masculina que vai aos poucos cedendo lugar a intuição feminina. Do ponto de vista filosófico-histórico tudo isso tem uma explicação.
Ao voltarmos no tempo, constatamos que no início de nossa história a sociedade era matriarcal e não patriarcal como a conhecemos hoje. Isso porque a forma como era constituída e as exigências necessárias para a sobrevivência era totalmente diferente como a foi concebida nos séculos seguintes. Por serem nômades e ainda não explorarem a natureza, ou seja, transformar as forças e riquezas da natureza para o proveito próprio, as atividades mais valorizadas era a coleta de alimentos e a criação dos filhos, atividades estas exercidas pela mulher, pois garantia a sobrevivência da espécie enquanto geradora de vida e a sobrevivência do grupo enquanto garantidora de alimentos. Não era necessário a utilização da força e muito menos da razão enquanto necessidade de transformações.
No momento em que o homem passa a ser sedentário, estabelecendo-se em um único lugar, há a necessidade de transformar a natureza, utilizar do que de melhor a mesma oferecia para a espécie humana (e aqui entra a necessidade do uso da força, pois havia a necessidade de defesa do patrimônio conquistado e a utilização da razão para modificar a natureza em proveito da sobrevivência) a mulher continuava sendo a geradora de vidas e a garantidora de alimentos através da coleta. Porém, o que se valorizava era a sobrevivência através de segurança que era conseguida através da guerra (força) e a utilização dos meios naturais a serviço do homem (razão). Assim, há uma inversão de poderes e a sociedade passa a ser patriarcal, onde o homem detém o poder. Estrutura esta que conhecemos até hoje.
Neste início de século e de milênio, o mundo globalizado passa por um processo de transformação, onde o capital vai cedendo lugar ao conhecimento e a razão vai sendo substituída pela intuição, característica predominantemente feminina. Ao contrário do início do século XX, quando existia uma paz disfarçada, sendo que na sequência assistimos horrorizados a eclosão das duas grandes guerras mundiais, o que parece neste momento é que não existe mais espaço para uma guerra mundial, somente movimentos regionais e localizados, bem como a conquista da natureza enquanto necessária para a sobrevivência parece ter chegado a seu auge, devendo apenas ser melhor trabalhada para atender às necessidades humanas.
Numa época em que a guerra deixa de ser uma preocupação e as descobertas precisam ser melhor trabalhadas, dentro da evolução normal da humanidade, está na hora da percepção e intuição feminina substituir a razão e a força masculina. Tudo isso gera mudanças radicais na forma de agir e pensar, pois o que ocorre é a inversão de papéis, afinal de contas são milhares de anos onde assistimos à supremacia do homem sobre a mulher e com certeza não é fácil assimilar a idéia de que num futuro bem próximo, como tudo indica, estaremos sendo governados e gerenciados pelo sexo feminino.
- LUIZ ANTONIO PEDRO é professor universitário, filósofo e historiador em Maringá
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