A militância política em nossos dias passa necessariamente pelas movimentações partidárias. Frequentemente ocorrem mudanças desde a simples transferência à alteração por completo na sigla. Isso porque a cada momento surgem novos fatos político-partidários que motivam as alterações. A conjuntura segue o ritmo das tendências do momento. Mudanças, reformas, pleitos futuros, tudo influencia nas combinações partidárias.
Essa metamorfose contínua passa a ser normal se levarmos em conta que o País ainda não possui uma estrutura política estabilizada, madura, forjada em princípios ideológicos mais consistentes. A multiplicação das legendas partidárias promove a alternância de lideranças. Não há mais uma identidade exclusiva do partido. Ocorre a aglomeração de tendências cristalizadas em facções distintas. Em muitos casos, grupos organizados passam a formar uma força particular, concorrendo por espaços sociais com o próprio partido a que pertencem.
Aquilo que na superfície parece surpresa, na verdade, no cenário dos acontecimentos já se contava como uma possibilidade muito antiga. O jogo político desenrola-se passo a passo como um grande quebra-cabeça bem diferente do convencional. Aqui, ao lado dos embates, tapetes puxados e tesouras afiadas, ocorre cada milagre de surpreender os santos mais fortes: qualquer peça pode dar certo em qualquer lugar. Às vezes, quem tem a verdadeira peça não consegue encaixá-la porque deixou de fazer os ajustes estratégicos.
Apesar de produzir enormes dores de cabeça, a política não diminui seus adeptos. Todos podem participar, e participam na verdade, mesmo que não o saibam. Nada acontece sem os gestos políticos, sejam eles explícitos ou camuflados nos comportamentos mais elementares do nosso cotidiano.
Por estar em todas, a política agita os comentários. Faz nascer previsões, antecipando os resultados das disputas eleitorais. Nos causos de esquina ou nas rodas de chimarrão, cada um tem a sua verdade. Então, como ficar de fora?
Por mais que alguns se arrepiem, lá no íntimo todo mundo gosta. Os mais exigentes poderiam dizer que esse vale tudo não é política. Pode não ser nos encantos ideológicos, mas é o que temos na prática. E como não é possível parar e começar nos padrões perfeitos, o jeito é tentarmos promover as melhoras possíveis, revestindo a nossa participação com a dignidade de quem consegue sobreviver e sustentar os ideais de luta e transformação social, num território de discórdia e de conflitos constantes.
PAULO CEZAR BASÍLIO é professor e vereador em Pinhão

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