Da negligência ao radicalismo
Marina cita tragédia do Rio e pede que Código Florestal seja barrado, diz a notícia. Portanto, vem aí um complicador para o Código, tão polêmico e demorado. É plausível a preocupação da senadora Marina Silva (PV-AC) com o desmatamento, levando em conta tanto o Código Florestal como a liberalidade total para que se construa em qualquer lugar. Também é defensável uma revisão na legislação. E é bom que atitudes sejam tomadas ainda sob o impacto da tragédia da região serrana do Rio de Janeiro porque, passada a comoção, o assunto tende a cair no esquecimento. E mais: no Brasil, quando se fala em proteger a natureza, a postura tem que ser radical, no exato calibre do inverso proporcional da destruição desenfreada e gananciosa. Não raro com aval ou omissão dos órgãos do governo.
A senadora Marina, candidata do PV derrotada à Presidência da República, associou a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro ao desrespeito do homem pelos limites da natureza. Marina fez um apelo para que o Congresso Nacional barre o novo Código Florestal. Não se pode mudar o Código Florestal permitindo que as pessoas façam construções e edificações nas áreas de preservação permanente, disse a senadora, em visita ao Campus Party, em São Paulo.
Agora é bom não perder de vista que no Rio de Janeiro se permitiu de tudo. O rico conseguiu fácil alvarás para construir grandes residências em local incompatível. Desmatou à vontade para fazer o que quisesse. O pobre, em nome da questão social também pode instalar-se no pé, na encosta ou no topo do morro. Governos e técnicos estavam dormindo, ou receberam muita propina para o liberar geral. Na região serrana até que as falhas nas construções não são tão salientes, mas em Angra, por exemplo, a ousadia e o risco são flagrantes.
Não é sensato, portanto, pegar carona na tragédia dos morros e transformar o Código Florestal em instrumento de punição do agricultor. É mais inteligente fiscalizar o contrabando de madeira e impedir as centenas, talvez milhares de árvores derrubadas todos os dias na Bacia Amazônica.





