Da grandiosidade do homem - Walmor Macarini
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de abril de 1999
Walmor Macarini 
Quando falo homem não falo indivíduo, seu corpo; falo o ser. Senão diríamos algo como há três corpos conversando na esquina, há quatro corpos jogando baralho... O corpo é apenas matéria perecível; por homem entenda-se a substância transcendente. Pois este homem, condicionando-se pequeno, distancia-se de sua realidade superior. Ao compreender-se apenas corpo carnal, limita-se, nega sua origem e sua imortalidade. Julga praticar um gesto de humildade ao proclamar-se insignificante em face da grandiosidade do universo, porque esse mistério é algo incompreendido por ele. Ante o mistério se inclina, porém melhor seria que fosse humilde ante seus iguais, eis que estes ele os conhece...
Uma força poderosa habita no homem, mas disto ele não tem muita consciência. Não tem percebido que, quando em extrema atribulação, é justamente a essa força que recorre, porque é de seu instinto divino. É o momento em que se manifesta sua essência mais sutil. É quando ele fecha todas as portas de fora e abre as que dão para o seu interior, porque elas se comunicam com as suas dimensões mais elevadas. Ao recolher-se à profundidade de seu ser, sintoniza seu canal crístico, que o acompanha desde a eternidade dos tempos, e de repente vê diante de si todas as respostas e explicações.
O homem não deve colocar-se no lado de fora, como algo à parte da Criação, porque é um permanente convidado a entrar e ocupar a sala... Ao criar o homem e todas as coisas, Deus não utilizou nenhuma matéria-prima estranha, apenas fragmentou sua própria luz. Por isso dizer-se que fez o homem à sua imagem e semelhança. Ao proclamar-se pequeno, o homem nega essa origem, nega a luz de que se compõe.
O corpo é apenas força física, o espírito é força consciente. Mas tem o homem grande responsabilidade com sua vestimenta carnal, cabendo-lhe preservá-la para que não se impurifique e se degrade, porque ela abriga o espírito enquanto durar sua incursão terrena. E eis então que a morte não existe: com o desenlace, ocorre apenas que o espírito despe-se da vestimenta. Mortos, portanto, não falam (e têm razão os que o afirmam), simplesmente porque mortos não existem...
O espírito comanda o corpo, dá-lhe autenticidade, permite-lhe que se movimente, que funcionem seu intelecto e todos os seus órgãos. O espírito é a vida de Deus no homem. E como tal, tudo pode. Manifesta-se não pela razão, que é analítica, mas pela intuição. A intuição não comete equívocos. Costuma-se dizer que é a voz do coração.
Uma só energia comanda todas as coisas do universo cósmico, e tudo é uma só unidade. O homem, portanto, não é pequeno, porque partícula da Soma divina. É certo, sim - e não há doutrina que pense diferente - que essa partícula individualizada tem uma só vida, que se originou nos tempos eternos e durará todo o sempre; por isso que cada ser não é novo no universo e não tem a idade de seu registro de nascimento. Mas essa vida única, nunca truncada, veio experienciando sucessivas passagens pela densidade da matéria. Por isso a memória de experiências precedentes. Temos admitido que somos eternos, não? Não seríamos eternos se houvéssemos tido começo apenas na vida que hoje vivemos, porque eternidade pressupõe sem princípio nem fim. O que nasceu no dia de nosso aniversário foi apenas este corpo que temos. O espírito - a única vida - preexistia.
Óbvio que o poder não está na fisicalidade do homem. Está em sua substância cósmica, que é o seu substrato. O mundo carnal é o ilusório, o mundo espiritual é a realidade. O anormal é estarmos habitando este corpo carnal, o normal é retornarmos à integralidade de nossa dimensão etérica. E por que estamos aqui, desta forma humana? Porque viemos para divinizar a Terra. E, quase que invariavelmente, por nossa livre vontade, cooperando com os planos de Deus para este mundo, uma de suas muitas moradas. Por isto nos permitiu o livre arbítrio.
Somos oriundos de muitas origens e muito mais velhos do que nos supomos. Por isso que não podemos nos limitar ao nível dos nossos cinco sentidos. Tudo é uma só consciência, fazemos parte dela; então, nem que o quiséssemos conseguiríamos nos apartar. Mesmo os que temporariamente se dispersam, ainda assim não se apartam.
A que nos vem de dentro, esta é a palavra da verdade, porque esta tem origem genuína, insuspeita, por que oriunda da Grande Fonte. Não é de sabedoria darmos validade, a piori, às coisas que nos chegam de fora (estes escritos incluídos), quando ainda não escutamos nossa voz interior. Se nos sintonizarmos com ela não cometeremos equívocos. Não podemos permitir, por comodidade e preguiça mental, que outras cabeças pensem e decidam por nós, que vozes de fora nos aprisionem em idéias de pequenez. Porque todos nascemos livres e para ser livres.


