É sempre necessário que vozes se levantem em defesa da justiça social, e por extensão da paz, como fez agora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao abrir a Assembléia Geral das Nações Unidas. Quanto mais elevada a tribuna, caso da ONU, mais repercussão esses pronunciamentos terão, e dessa forma irá se plasmando um mais consciente consenso da humanidade, embora a sanha de domínio econômico e as recorrências guerreiras de influentes líderes mundiais, e, por consequência, as reações do terrorismo. Pela tradição de paz do Brasil, apesar da violência interna, e pela reconhecida personalidade pacifista do presidente brasileiro, seu pronunciamento ganha credibilidade. Considerando esses fatores positivos, deve o Governo Lula pensar seriamente em dar sentido de coerência às suas palavras como as de que 'a paz virá como fruto da justiça' e validá-las pela continuidade prática de seu discurso, começando, pelo próprio Brasil, uma cruzada para a melhoria do padrão de vida de seu povo e, assim, criar garantias de uma paz duradoura. Não há, certamente, nenhuma farsa na mensagem feita ao mundo pelo presidente Lula indiscutivelmente uma personalidade governamental de destaque entre os governantes mundiais mas um grande exemplo seria começar pelo próprio país a correção das injustiças, com medidas concretas e contínuas nesse sentido. Se o programa Fome Zero, aparentemente, fracassou, existe uma infinidade de outros mecanismos para promoção do indivíduo, no Brasil, e assim a prática falará mais alto que os discursos, e o mundo saberá. Palavras influenciam nações, mas a ação daria consistência aos anseios apregoados e, aí sim, o presidente Lula firmaria uma posição de grande liderança, capaz de criar seguidores. Assim, os propósitos não correriam o risco de diluir-se em palavras. O começo deverá ser pelas reformas básicas, que ressultarão em incremento da economia, e essa iniciativa cabe também ao Executivo por via da formulação de propostas ao Congresso Nacional. Mudança de leis e sistemas abreviaria caminhos para o avanço da iniciativa privada, que é competente e com toda a certeza executará sua parte, fundamental no processo. Mas é preciso dar o chute inicial, e a nação bastante desencantada mas ainda esperançosa aguarda isto do presidente da República. No embalo da corrente que motivou seu discurso no maior parlamento mundial, o chefe político de todos os brasileiros deve sentar-se em sua cadeira presidencial e meditar sobre o tempo já perdido, porém ainda recuperável, e partir do seu discurso ao mundo para a prática em território nacional.

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