O domínio de um povo sobre outro é a nossa própria história. Isso acontece desde os tempos pré-históricos, quando umas tribos dominavam as outras, passando pelos romanos que construíram um império, evoluindo para o domínio mercantil de Portugal, passando pelos conflitos bélicos das grandes guerras (Guerra Fria, Guerra do Vietnã, Guerra do Golfo) e chegando hoje ao domínio econômico mundial através das Bolsas. Esta é, rápidas palavras, a evolução do domínio de uma nação sobre outra. No início utilizava-se a força física; depois, a força bélica; no pós-guerra, a força econômica aliada ao poderio militar, como por exemplo a competição armamentista polarizada por Estados Unidos e União Soviética.
Hoje, uma nação domina a outra nada mais, nada menos do que utilizando a arma mais poderosa de todos os tempos: o dinheiro. Os exemplos concretos são Vietnã e Cuba. No Vietnã, os EUA, após muitos anos perderam a guerra, não conseguiram dominar o povo, que lutou bravamente em escaramuças, trincheiras e com uma guerrilha eficaz e eficiente. A solução foi a retirada das tropas e o recuo temporário. Depois, o domínio aconteceu pelo ‘‘financiamento’’ da reconstrução. Hoje os EUA dominam este país pela influência econômica que exercem sobre ele.
No caso cubano, a própria abertura mundial, e exposição da realidade de outros países, fatores que determinaram a queda de regimes radicais e socialistas, deixaram Cuba isolada economicamente, indefesa. Ainda soberana, porém a um custo social cada vez maior.
Estas idéias servem de base para a questão do domínio econômico pelas grandes corporações, no nosso caso através de exemplos como VW, Bayer, Hoescht, Audi (alemãs), GM, Ford, McDonald’s, Pizza Hut, Black Buster (americanas). Parmalat, Fiat, Barilla (italianas). Estas grandes empresas entraram no mercado nacional e hoje estão ‘‘incorporando’’ várias empresas pequenas e médias (como foi o caso mais recente da Parmalat e da Batavo) e estas fusões e aquisições podem vir a representar um risco até para a soberania nacional.
Mas como? Vamos tomar como exemplo uma pequena cidade no interior do nosso País, cuja maior empresa é uma mina que emprega 70% da mão-de-obra local disponível. O que acontece se esta mina fechar ou vir a quebrar? A cidade quebra! E quem será que manda na cidade? O prefeito, o padre, o delegado ou o gerente-geral da empresa? Esta é a relação entre estas situações.
É claro que em nosso mercado ‘‘globalizado’’ é difícil uma grande corporação dominar um mercado, mas não é impossível. Vocês por acaso têm idéia de quem é a maior empresa de telecomunicações do Brasil? E a maior empresa de transporte coletivo, e quanto do mercado nacional elas possuem, e qual a influência delas nas decisões políticas nacionais?
Convivemos com esta realidade, mas existe um outro modelo econômico na Europa, em que pequenas e médias empresas funcionam no conceito de cadeia produtiva. Resumidamente, pequenos e médios empresários unem-se e produzem em série. Por exemplo, móveis. Digamos que em uma determinada cidade existam cinco pequenos empresários que produzem móveis para residências, e pela dificuldade de mercado, estes empresários fazem todo e qualquer tipo de móvel, cozinha, banheiro, quarto e sala - mas cada um tem afinidade maior com uma certa linha de produtos. Como cadeia produtiva, eles compram em conjunto, e cada um vende seus produtos ao mesmo mercado, porém com ganho de escala e sem uma ‘‘canibalização’’ entre eles. Tudo isso é apoiado por organismos públicos como as Câmaras de Comércio, por exemplo.
Especificamente no Norte da Itália, na região da Emilia-Romagna, onde há cidades como Bologna, Parma e Modena, existem cerca de 430.000 empresas dentro uma população de cerca de 5.200.000 habitantes. Ou seja, há uma empresa para cada 12 habitantes, ainda que nesta região existam empresas como a Ferrari, que fatalmente não possuem 12 empregados.
Nós temos tudo para trazer este modelo para o Brasil. Na região Norte do Paraná, temos pequenas e médias empresas, temos espaço, mercado, temos entidades de apoio, mas o que nos falta? Conhecimento deste modelo, vontade de fazer acontecer, mas principalmente a conscientização do empresário de que ou o pequeno empresário torna-se médio, o médio torna-se grande e o grande torna-se uma corporação, ou ele será engolido pelo sistema ‘‘globalizado’’.
Cito John Kenneth Galbraith, prêmio Nobel de Economia que disse: ‘‘... Nós os americanos o inventamos (referindo-se ao termo globalização) para dissimular nossa política de entrada econômica nos outros países, e para tornar respeitáveis os movimentos especulativos de capital que sempre são causa de graves problemas.’’
Vamos pensar nisto e agir logo.

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