Da arte de sobreviver ao desemprego - Gilclér Regina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Gilclér Regina 
As empresas, a despeito de sua consciência ética e de pacto social avançados, quando ameaçadas pela concorrência, pela pressão dos custos sobre seus produtos, pelo inchaço organizacional, pela perda de mercado, defasagem tecnológica ou quaisquer outras circunstâncias, não querem saber o que você já fez. Não querem saber, de um modo geral, se os funcionários trabalharam dura e honestamente ao longo dos anos ou se eles nunca faltaram aos seus postos de trabalho ou ainda se sacrificaram os seus finais de semana, suas férias e até mesmo suas famílias pelo trabalho.
Não querem saber se foram leais e têm uma longa permanência na empresa. Nesse instante, o passado não conta. O que as empresas estão realmente interessadas em saber é o seguinte: qual a contribuição que você deu no último trimestre? A sua posição e sua função são estratégicas e vitais para o sucesso do negócio? O seu talento e suas qualificações pessoais estão sintonizados com a nova revolução liderada pelo capital humano e intelectual? As suas habilidades atendem às exigências impostas pela concorrência de uma economia globalizada, hoje e nos próximos três anos? No atual ambiente, a admissão é a semente em potencial da demissão.
Na verdade, você tem que neutralizar essa possibilidade de desemprego, invariavelmente, todos os dias. A sobrevivência dos profissionais, doravante, dependerá em grande parte, de atitudes pessoais assumidas, como renovar-se a cada dia, em tudo, perseguir a perfeição em tudo o que você fizer, controlar o seu impulso consumista e entender que ganhar dinheiro é um processo penoso e lento. Se você pretende sobreviver num mercado sem empregos, é indispensável que se prepare para os dias difíceis.
A Electrolux, com sede em Estocolmo, na Suécia, assumiu recentemente uma provisão de US$ 320 milhões para poder demitir 12.000 funcionários e fechar 25 fábricas. A AT&T, essa mesma que participou do mega leilão da Telebrás, anunciou que cortará entre 15.000 e 18.000 empregados nos próximos dois anos, numa tentativa de reduzir US$ 3,5 bilhões dos seus custos anuais, a fim de colocá-los em linha com os gastos das empresas concorrentes.
Incrível que vivemos num mundo onde falta emprego e sobra trabalho. É o conceito da trabalhabilidade que faz com que a pessoa que quer sobreviver ao novo ambiente, tenha sempre em mente e na ação, uma palavra-chave que é a preparação, que faz com que a pessoa seja competente enquanto está empregado e competente e empregável quando está empregado ou mesmo desempregado.
Afinal, o emprego tem migrado de lado, cada vez mais, numa espantosa velocidade. Você pode ser o melhor telegrafista do mundo que não vai ter emprego para você. Afinal, os tempos mudaram e sua especialização ficou burra. Toda manhã, na África, uma gazela acorda. Ela sabe que deverá correr mais rápido do que o leão ou morrerá. Toda manhã, na África, um leão acorda. Ele sabe que deverá correr mais rápido do que a gazela ou morrerá de fome. Quando o sol surge no horizonte, não importa se você é leão ou gazela. É melhor que você comece a correr.
- GILCLÉR REGINA é consultor de programas motivacionais em empresas e escritor em Maringá.
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