O discurso inflamado do senador Lindbergh Farias, líder do PT no Senado e pronunciado diante da comunidade petista logo após a decisão do Tribunal Regional em Porto Alegre, tem um pouco do célebre comício do Rio, de 13 de março de 1964 na Avenida Presidente Vargas. Esse episódio de cinco décadas atrás resultou na intervenção militar poucos dias depois e viria a salvar o Brasil do domínio das esquerdas e, por extensão, do comunismo internacional, bancado pela então poderosa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. É que João Goulart, do PTB (um precursor do PT de hoje), convertera-se como vice que era em presidente da República, com a renúncia de Jânio, e fez nesse comício um incendiário discurso, e assinou dois decretos: 1) desapropriando, para fim de reforma agrária, todas as terras com mais de 100 hectares, numa faixa de 10 quilômetros de fundo, ao longo das rodovias e ferrovias federais; 2) nacionalizando as refinarias particulares de petróleo. E fazendo outras ameaças de intervenção no patrimônio privado.

Discursaram Jango (ao lado de sua mulher Maria Teresa, filha de Brizola); o próprio Brizola, então deputado; Miguel Arraes, líder pernambucano; Carlos Prestes (secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro); e Darcy Ribeiro. Esse comício monstro foi organizado pelo Comando Geral dos Trabalhadores, modelo idêntico ao das centrais sindicais de hoje, e toda a comunidades de esquerdas estava lá. No palanque encontravam-se também os três ministros militares, um dever de ofício porque subordinados ao Presidente da República, mas ironicamente do mesmo corpo de tropa que viria a tomar o poder poucos dias após. Houve reação das classes produtoras, da oposição ao Governo, das famílias, e foi então que as Forças Armadas, já vigilantes fazia algum tempo, tomaram a decisão de que era hora de intervir.

Hoje as esquerdas dizem que foi um golpe, mas pode-se afirmar que foi um contragolpe, porque era iminente um supergolpe que os esquerdistas-comunistas iriam desferir. O regime de exceção também cometeu excessos, marcadamente a tortura, mas se não fosse o levante dos militares, hoje certamente estaríamos amargando uma ditadura ainda mais violenta, como acontecera nos países da órbita soviética, com a supressão de todas as liberdades cidadãs e um "paredón" do tipo cubano. Lindbergh, em sua fala de agora e aos gritos - embora sem a envergadura de um líder - revelou-se um agitador ao conclamar à desobediência civil. A "presidenta" do PT, Gleisi Hoffmann, caminha pela mesma trilha. Eles e outros do time estão cutucando leão como vara curta. Se a provocação continuar, se a corrupção de todas as facções políticas criminosas persistir, o povo pedirá de novo – como pediu em 64 – a volta da intervenção militar, como medida para salvaguarda das instituições democráticas e restabelecimento da ordem pública. Esta a função profissional e institucional das Forças Armadas, ou não haveria necessidade de elas existirem.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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