Custos e benefícios do Carnaval
Se o Carnaval custou R$ 86,7 milhões à União, em forma de renúncia fiscal - porque é dinheiro da lei de incentivo à cultura - por outro lado traz benefícios paralelos, em forma de movimentação financeira, empregos e retorno ao próprio Tesouro em forma de impostos. Num sistema governamental concentrador de dinheiro, que é subtraído do meio circulante por via da voraz arrecadação tributária, toda a boa aplicação de dinheiro público é benéfica, isto incluindo os festejos carnavalescos. Ademais, este é um evento popular e de princípios sadios, embora tenha também os seus excessos.
O Carnaval é uma rica fonte de renda permanente no Estado do Rio de Janeiro, porque terminado um desfile das escolas de samba (o maior e mais majestoso evento carnavalesco) e proclamada a vencedora, de imediato começam os projetos para o ano seguinte, com as oficinas de montagem dos carros alegóricos e a produção das vestimentas retomando atividades. É uma indústria de serviços contínua, que exige participação de uma variada gama de profissionais e operários em geral. Isto significa atividade de trabalho e ganho, movimentação de dinheiro e, por extensão, também arrecadação tributária. A cidade de São Paulo - marcadamente industrial e comercial - vai intensificando seu investimento no Carnaval de rua. Estados nordestinos como a Bahia e Pernambuco têm no Carnaval um de seus rendosos negócios, pela atração turística e pela própria dinamização da economia gerada pelos festejos.
É sempre benfazeja toda a atividade sã que proporcione giro de capital e possibilidade de trabalho, mesmo que temporário, a milhões de brasileiros. Enquanto o povo se diverte, um exército anônimo trabalha a serviço do Carnaval e garante ganhos de subsistência ou no mímino de complementação. Portanto, o custo à União desses milhões é apenas um deixar de receber, porque é dinheiro da Lei Rouanet, que beneficia projetos culturais por via da declaração do Imposto de Renda.
Tudo o que entra em excesso nas mãos do Governo - que abocanha mais de 60% de toda a receita tributária nacional - é sempre prejudicial, por isso o giro da moeda promove benefícios. É dinheiro em movimento no lugar de ficar estagnado nos cofres do Tesouro. Haverá sempre argumentos como o de que há prioridades nas áreas da sáude, da habitação, da segurança, mas a dinâmica da economia abarca todo o gênero de atividades produtivas, que acabam resultando também em benefícios sociais. Tanto melhor para o Brasil quanto mais o dinheiro circular, e promoções culturais, esportivas, artísticas e de dimensão popular como o Carnaval são grandes movimentadoras de capital, pelos muitos segmentos envolvidos.





