As falhas na infraestrutura logística do País são conhecidas de praticamente todos os brasileiros. No entanto, os problemas e os altos custos do transporte, que tiram a competitividade da safra brasileira, foram evidenciados em reportagem desta FOLHA, publicada na edição de sábado. Conforme foi apurado, frete, pedágio, secagem e armazenagem e os custos portuários chegam a tirar R$ 9,53 do preço pago por saca de soja ao produtor paranaense. O valor representa pouco mais de 16% do custo da saca de 60 quilos que, segundo o indicador Cepea/Esalq, fechou cotada a R$ 58,74 na última sexta-feira.
O custo com frete rodoviário é o maior entre todas as despesas elencadas e, segundo estimativa do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná, irá subir mais durante o transcorrer da colheita. A argumentação é a velha lei de mercado: aumento de preço puxado pelo aumento da demanda. Também o sindicato argumenta que o problema é recorrente: todos os anos faltam caminhões e se repetem os gargalos da infraestrutura. Se essas falhas são velhas conhecidas de todos os envolvidos na cadeia produtiva, não é passada a hora de se investir em outros modais de transporte?
As rodovias estão em péssimo estado de conservação, as tarifas de pedágio são altas e a mão de obra dos caminhoneiros é cara. Portanto, não seria o caso de incentivar o escoamento da safra por ferrovias ou hidrovias? O Brasil é um dos países que mais tem rios em sua extensão territorial e, portanto, seria adequado investir neste tipo de transporte.
Um modelo de transporte mais eficiente e mais barato traria inúmeros benefícios, como maior agilidade no escoamento da safra, melhor conservação de rodovias (que ficam danificadas devido ao fluxo intenso de caminhões) e barateamento dos produtos ao consumidor final. Se é de conhecimento geral que o transporte rodoviário é um dos que tem custo mais alto, já passou da hora de se investir em outros modais.

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