Custo Brasil
O dia, ontem, foi de ''bom humor'' no mercado financeiro. O dólar fechou em baixa, cotado a R$ 3,54. O risco Brasil recuou, o desempenho dos títulos da dívida brasileira melhorou, as bolsas subiram. Foi uma rodada de números positivos, afinal.
Segundo analistas financeiros, muitos investidores que haviam comprado dólares e vendido títulos e ações brasileiras antes das eleições, apostando em um desastre após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, agora revêem as suas posições. Mas a definição mais precisa do que acontece no momento talvez tenha sido dada à Agência Estado por um operador do mercado, nesta segunda-feira de calmaria. Segundo ele, ''há uma melhora geral da percepção de que o Brasil está muito barato''.
E a gente se pergunta: barato para quem? Definitivamente, para os brasileiros não é. Ontem mesmo, o consumidor pagou muito mais caro pelos combustíveis. As contas nos supermercados dispararam no período eleitoral e, mesmo que alguns preços recuem, a retrospectiva indica que dificilmente retomarão os níveis anteriores. Os aumentos foram praticamente lineares, em todos os setores, nas últimas semanas que antecederam a campanha política.
O Brasil ficou barato e é a isso que o operador se refere aos que têm capital para investir a juros gordos no País, principalmente depois de lucrar fartamente na roda da especulação cambial que comeu solta no País. Os títulos do governo viraram uma pechincha, o juro que remunera ativos financeiros é um verdadeiro presente de Papai Noel, as ações têm campo fértil para os investidores apurarem belos lucros.
Em curto prazo, há pouco o que fazer. Mas é preciso que o novo governo trabalhe bem e rápido para mudar esse enredo e começar a tornar o Brasil mais em conta, de uma vez por todas, para os brasileiros.
Ruth Meira





