Está aí: a Electrolux vai despedir mais trabalhadores, ao mesmo tempo em que transfere o projeto de implantação, que mereceu vários incentivos, da nova unidade industrial em Fazenda Rio Grande. A empresa sueca absorveu a Refripar, toda construída ao longo do tempo com poupança interna desde a Codepar até o Badep, que Álvaro Dias mandou fechar. Todas as etapas do empreendimento tiveram financiamento público e incentivos diretos e indiretos. Agora, na onda da tão proclamada globalização, é absorvida pelo maior grupo do ramo e o Paraná passa a padecer por causa das conveniências da empresa nas suas relações com o mercado internacional.
Da mesma forma que a Renault fecha na Bélgica, desemprega trabalhadores de 5 mil dólares mensais e abre uma no Paraná, super-subsidiada, para um mínimo de operários e com ganhos mais baixos, a Electrolux começa suas atividades aqui murchando seus resultados e tirando a dinâmica do mercado interno. Olha-se isso como fatalidade bíblica, algo que tem mais precisão, já que se vale de computadores refinadíssimos, do que uma consulta ao Oráculo de Delfos. Algo assim como os fados da tragédia grega.
O que é que o governo estadual, tão identificado com FHC nessa corrida para agradar a clientela internacional, tem a dizer? E se houver o mesmo com outros empreendimentos, como já se insinuou em alguns na Lapa e em Ponta Grossa, o que dirá o governador e como corrigirá um dado eleitoralmente negativo? No caso de FHC, um cataclisma como o da Ásia ou do México, decorrente de ataque especulativo, seria necessário para afetá-lo. Já no de Lerner, qualquer coisa menor, como essa da Electrolux, terá efeitos demolidores e isso porque não sabe se defender, não sabe se comunicar, não tem doutrina e à cada adversidade se transforma em mais atrapalhado ainda. De repente aquela conta dos R$ 14 bi, tão questionável quanto as 40 mil crianças que foram da rua para a escola, sofrerá diminuições expressivas. Expectativas geradas e não cumpridas são bem mais fortes do que o cambaleante e quase sempre ridículo discurso da oposição.
Está na hora de um novo Manifesto, agora pós-marxista e de uma Internacional Socialista, para operar como contraponto ao fundamentalismo da globalização e do darwinismo social travestido de neoliberalismo. Está na hora de Jaime Lerner pensar além do jardim do ‘‘Chapéu Pensador’’ e das lições de epistemologia do seu Chalaça de plantão.
BIZARRICE Edital da Prefeitura de Pontal do Paraná traz uma curiosidade bem à brasileira: 78 advogados concorrem a uma vaga de Procurador e apenas um disputa 78 vagas de gari. É o que diz o advogado e anarquista Elísio Marques.
COPEL Poucas pessoas no interior do governo defendem a Copel e a resistência à sua privatização. Ao contrário, há alguns que imaginam ganhos com a venda da estatal. A Copel, num momento em que a Light desmoraliza e põe sob risco todo programa de privatização com seus ‘‘apagões’’ no Rio e revela a fragilidade da Agência de controle (ANEL), continua redonda e com lucros de R$ 300 milhões no ano passado, isso sem falar na sua eficiência.
Há um novo modelo energético em função do ‘‘desmonte’’, que até se justifica pela impossibilidade de o governo e as adiposas estatais investirem. Nada impede, porém, que se mantenha uma estatal paradigmática como fator de emulação com as privatizadas e pirateadas. A Copel é uma delas.
NOMENKLATURA A eleição no Ministério Público foi uma disputa entre a situação da área (Giacóia, Borges Vieira e Gláucio Pereira), ligados ao comando da Procuradoria, e o empenho em afastar Edson Vidal da disputa. Vieira, descontado o fato de que é irmão do Chefe da Casa Militar, tem 34 anos de atuação no Ministério Público e sem abandonar a função, o que lhe dá respaldo curricular diante de Giacóia, o primeiro da lista, por uma diferença de 20 votos. A linha da Procuradoria, considerada assistencialista e voltada para modismos (ecologia, infância e adolescência, consumidor) e assim mesmo com escassos ganhos, já que não se conhece grandes feitos nas áreas, era contestada apenas por Edson Vidal e Ubirajara Índio do Brasil.
Um caso típico de vitória da ‘‘nomenklatura’’ e que torna a decisão de Lerner tensa e complicada, ainda mais se levando em conta sua habitual perplexidade.
SPRAY Laudo do IML nega estupro ou tentativa contra a estudante que acusa o prefeito Jocelito.- Está confusa a denúncia: antes se falava em ato consumado e agora em tentativa.- ‘‘Vesti minha camisinha desviada e saí por a풒. Eis a paródia que se poderia cantar no carnaval com essa estória incrível da Clichepar, aquela que sofreu trambique do PMDB que até hoje não lhe pagou e que está espantada com o desaparecimento de 100 mil camisinhas. Por sinal que ontem estava mais fácil achar camisinhas do que alguém da Clichepar para atender a reportagem.- O fato é que deram sumiço no ‘‘Bráulio’’ e se pode dizer que há mil camisinhas atrás dele.- Gionédis como coordenador político já foi vetado pelo Janene. Aliás são parecidos no estilo.-
FOLCLORE Portugal teria se oferecido na ajuda aos Estados Unidos para invadir o Iraque: daria cem tanques e também as cem lavadeiras para operá-los.
CROMO Houve um tempo, imaginem, que as crianças confundiam camisinhas com as bexigas de sopro. Hoje os engenhosos tentam transformar bexiga em camisinha.
AFORÍSTICO A política é um permanente exercício de pôquer com um detalhe bem sinistro: o de que todos querem blefar ao mesmo tempo.

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