Cursos técnicos abrem portas no mercado
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domingo, 22 de abril de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Na hora de escolher uma profissão, um dos itens mais importantes, além da aptidão e da vontade de exercer determinado cargo, é a chance de se colocar mais facilmente no mercado de trabalho. Diante do desemprego e da dificuldade para arrumar um espaço, os cursos técnicos profissionalizantes surgem como alternativa.
Quem garante é o coordenador do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Londrina, Roberto Oliveira. ''Até pouco tempo atrás, havia maior valorização dos cursos de graduação. Hoje o mercado está diferente e os cursos técnicos têm obtido respostas muito boas, tanto na empregabilidade quanto na questão salarial. O profissional de chão de fábrica, capacitado para executar determinado serviço, está sendo bem mais valorizado''.
Segundo a média nacional das 700 unidades espalhadas pelo país, o Senai consegue colocar no mercado de trabalho 85% dos alunos que frequentam os cursos técnicos. Londrina, de acordo com Oliveira, está dentro desta média.
''Falta profissional especializado. É muito mais fácil arrumar emprego técnico aqui em Londrina do que qualquer outra profissão. Como a cidade tem um perfil com indústrias mais leves, sobram vagas para mecânico automotivo, industrial, eletrotécnico. A empresa não precisa ter dez engenheiros graduados. Basta um para desenvolver o projeto, cercado de técnicos competentes que vão operar as máquinas'', garante o coordenador do Senai.
Um bom exemplo desta abertura de mercado é a profissão de torneiro mecânico, que não foi ameaçada nem pelo avanço da tecnologia. ''Em Londrina, torneiro mecânico não fica sem emprego. Quando inventaram o Controlador Numérico Programável (CNC), achavam que a ocupação de torneiro ia acabar, porque a máquina é capaz de fazer até 250 peças por dia, enquanto o torneiro faz duas, três. Mas como leva o dia inteiro para programar a máquina e a produção é em pequena escala, ainda é preferível o trabalho do torneiro'', afirma Oliveira, lembrando que a tecnologia ainda criou novos postos de trabalho, como o de programador e operador dos CNCs.
Oliveira destaca ainda a boa remuneração em curto espaço de tempo para quem sai dos cursos técnicos. ''É uma formação rápida, de no máximo dois anos. Em um curso técnico em eletromecânica, por exemplo, é possível arrumar estágio ou emprego em até seis meses, ganhando cerca de R$ 800. Com três, quatro anos de experiência, o salário pode chegar a R$ 3 mil, valor considerado alto para a realidade atual'', avalia.
Valorização - Para o auxiliar administrativo do Senai, Marcelo Strik, esta oportunidade no mercado tem levado muitos jovens a priorizar a área técnica, deixando a universidade em segundo plano.
''Tem pessoas que fazem a graduação e tem dificuldade de entrar nas empresas. Por isso, muitos acabam fazendo o curso técnico como forma de inserção no mercado de trabalho para só depois fazer uma graduação''.
Foi pensando nesta prioridade que Alex Fernandes Gonçalves, de 26 anos, deixou Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, rumo a Londrina. Ele abandonou o primeiro período da faculdade de Engenharia de Controle de Automação para fazer o curso técnico da mesma área no Senai.
''Estava precisando deste curso mais prático, que tem atendido todas as minhas expectativas. Lá na minha região é muito procurado este tipo de profissional. Já tenho indicação de trabalho quando voltar e quero retomar a faculdade como forma de complementar os conhecimentos'', prevê o estudante.


