CURSO SUPERIOR UTFPR vai abolir o vestibular em 2010
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Recentemente o Ministério da Educação chamou os reitores das 55 universidades federais do país para um convite: fazê-las utilizar os resultados das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar candidatos aos cursos. Ao menos 25 delas deverão adotar o novo sistema, que poderá substituir completamente o vestibular ou ser incluída em algumas etapas do processo.
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) adotará o Enem como única forma de avaliar seus futuros alunos. A FOLHA conversou com o reitor da instituição, professor Carlos Eduardo Cantarelli, sobre a decisão. De acordo com ele, o novo sistema se aproxima bastante do usado em países da Europa e promete melhorar o sistema de ensino no Brasil.
Como se deu a mudança do sistema seletivo da UTFPR?
Já existe uma proposta do Enem desde 1998, quando ele foi criado. A portaria de criação do teste já indicava a possibilidade dele ser usado como mecanismo de seleção de entrada nas instituições de ensino superior. Depois desses anos todos, a prova passou por vários aprimoramentos e há cerca de 30 dias o ministro Fernando Haddad (Educação) convocou os reitores de universidades federais para apresentar essa proposta de sistema unificado para todo o país. Fizemos nesse período várias análises no nosso sistema de ingresso e achamos que a proposta tem seus méritos, é viável. Apresentamos a ideia ao conselho, que o aprovou. Nosso processo de julho permanece o mesmo, mas a partir do vestibular 2010 já usaremos o novo sistema.
O Enem é o mesmo para todo o país. As provas irão mudar para atender as necessidades específicas de cada instituição?
O Enem irá passar por transformações. Hoje são 63 questões e deve aumentar para cerca de 200, mas a prova continuará única. O objetivo é indicar aquilo que é necessário para os jovens no ensino médio e o que é necessário para uma avaliação daqueles que pretendem chegar ao nível superior de escolaridade. Para provas específicas, esse foi um dos motivos de termos aprovado o Enem tão rapidamente. Nosso sistema já acontece em dois dias e não há impedimento técnico para usar esse modelo.
E como ficará a situação dos alunos que podem se incluir no sistema de cotas?
Posso falar por nossa instituição. Sabemos que ainda existe uma diferença entre as escolas públicas e privadas. As cotas permanecem sem mudança alguma. Alunos que estudaram em escola pública no ensino médio e os considerados afrodescendentes continuam tendo suas vagas asseguradas e serão avaliados pela prova do Enem para concorrer a essas vagas específicas.
Quais são as vantagens para os alunos em se adotar esse tipo de avaliação?
Para os estudantes existe uma série de vantagens. Primeiro por poderem ter um claro conhecimento daquilo que é pedido em nível nacional. Segundo o aluno tem uma possibilidade maior: ele pode escolher cinco cursos em cinco universidades diferentes em qualquer lugar do país, o que fica difícil de fazer no sistema atual. Terceiro que não precisa se preocupar com notas todo o ano porque o resultado do Enem poderá ser usado por dois ou três anos seguidos, isso ainda está sendo estudado. Os custos e o estresse para os alunos diminuem.
Para as universidades também existem vantagens?
Sim, porque o processo seletivo como é gera um estresse também. Existe o aspecto de segurança, logística. Temos univerdades que atendem mais de 70 mil alunos por concurso e isso dá muito trabalho e gera custo. Existia por parte dos educadores e dos reitores em geral o desejo de alterar o processo de vestibular, embora muitas universidades têm provas muito boas. Mas as mudanças eram necessárias para melhorar o ensino público no país. E as universidades no futuro terão a liberdade de levar os problemas do novo sistema ao Ministério da Educação e até sair do programa se julgarem necessário.
De maneira prática, como o sistema irá funcionar?
O aluno fará a prova do Enem e as faculdades terão um prazo para publicar no MEC suas vagas disponíveis. O aluno acessará esse portal nacional de vagas e ver onde ele poderá concorrer, as univerdades onde ele tem mais chance. Então o MEC seleciona os alunos pela sua pontuação na prova e as universidades fazem a matrícula.


