As novas regras para renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) serão revogadas antes mesmo de entrarem em vigor, para alívio dos brasileiros. Se havia intenção do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) em melhorar a segurança nas ruas e estradas, a única certeza era que a medida aumentaria a burocracia e representaria mais um gasto para o cidadão. Sem falar no tempo de espera pelo novo documento, que certamente aumentaria muito. A resolução 726/2018 tornava obrigatória a realização e aprovação em curso de aperfeiçoamento para quem precisava renovar o documento, além do exame médico, que já é obrigatório. Havia novidades também para quem iria tirar a primeira CNH: o candidato teria que fazer duas balizas e para conseguir a carteira para pilotar motocicleta, seria exigido um exame nas ruas. Normalmente, o brasileiro precisa renovar a carteira de motorista a cada cinco anos. Para quem tem mais de 65 anos, isso acontece a cada três anos. Hoje, o processo de renovação da CNH custa entre R$ 140 e R$180, dependendo do Estado.
As mudanças causaram muita polêmica e até protesto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tanto que o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, determinou que a resolução seja revogada nesta segunda-feira (19). O ministro entendeu que a mudança iria contra a diretriz da pasta de reduzir custos e facilitar a vida do brasileiro. Elas entrariam em vigor no dia 5 de junho.
É certo que o Contran precisa pensar em como melhorar o trânsito, principalmente quanto a segurança. Os acidentes de trânsito fazem cerca de 45 mil vítimas fatais por ano no Brasil. No ranking dos países que mais matam nas ruas e estradas, o Brasil está em quinto lugar, perdendo para a Índia, China, Estados Unidos e Rússia. Se levar em conta as principais causas de acidentes por aqui, como excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, uso de bebidas alcoólicas pouco antes de dirigir, por exemplo, percebe-se que talvez o maior problema não esteja no conhecimento teórico e nas habilidades de condução de veículos. O maior problema está na falta de educação e conscientização dos motoristas e na pouca fiscalização por parte das autoridades.

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