Uma tese sempre defendida por este Jornal é que o postulante a cargo eletivo – entenda-se aí todos os homens públicos – deveria apresentar diploma de formação superior em administração governamental e passar por rigoroso teste de probidade. Se é exigida formação adequada para administrador de empresa, médico, engenheiro, professor, por que não para os que se habilitam a gerir os negócios públicos? Com toda certeza, dessa formação e dessa escolha, pelo critério da melhor valia, se evitaria muito de obras mal feitas, de dinheiro público mal aplicado, de desperdício e de corrupção. O mal dos governantes brasileiros jamais se corrigirá por via de leis – embora elas ajudem, – por cassação de mandatos, processos e prisões, porque, nos casos de apropriação indevida de dinheiro público, os valores nunca são devolvidos. A uma simples denúncia, os bens do administrador público já deveriam ser imediatamente bloqueados, para que não sejam repassados a terceiros coniventes. Mas há que eliminar o mal pela raiz, começando por preparar homens públicos em universidades, assim como qualquer profissional. Por via da formação, homens habilitados e dotados de comprovada dignidade se habilitariam às eleições, e assim o sistema governamental se aperfeiçoaria. A fórmula hoje imperante, que faz de uma figura popular qualquer um nome aprovado e o guinda fácil a um posto na função pública, afasta homens preparados para o gerenciamento da coisa pública, até porque o povo menos politizado não vota neles. Quando isto ocorreu, foi fato incomum. Mas, com a presença apenas de políticos graduados para a função, os cidadãos aprenderiam a votar. Homens públicos probos e capazes afastam as aves de rapina, que são atraídas para o reduto da administração pública que lhe é propício. Estes comentários vêm a propósito de tanta sujeira que sobe à tona nas épocas de mudança de prefeitos, como agora. A má formação administrativa, política e sobretudo moral, leva a desmandos, corrupção, malversação de dinheiro e ao sucateamento de bens públicos, como ora se constata em tantas prefeituras, no Paraná e Brasil a fora. Não se iludam os cidadãos, porque os prefeitos que agora assumem irão receber idênticas críticas dos que os sucederem daqui a quatro anos. Assim tem sido historicamente, neste Brasil de tanta pobreza cívica e patriótica. Não adianta eleger os mais populistas e depois correr atrás dos prejuízos. No momento em que se instituir a norma constitucional de que candidato a cargo eletivo tem que ter formação pertinente – e por extensão exigir isto dos que serão ministros, secretários estaduais e municipais – o Brasil estará iniciando uma nova e promissora era. Já se provou que será preciso, antes, aperfeiçoar os homens, que assim não serão necessárias leis de responsabilidade fiscal e nem de polícia correndo atrás dos corruptos. Elimine-se as causas e se eliminará os nocivos efeitos.

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