Cursinho da UEL aprova 27
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sábado, 15 de fevereiro de 2003
Renê Müller<br>Reportagem Local 
A estudante Patrícia Pereira dos Santos, 18 anos, ainda não acredita que seu nome está na listagem de alunos aprovados no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), divulgada na terça-feira passada. Ela disputava uma vaga para o curso de pedagogia no período noturno, índice de 5,65 candidatos por vaga. Eu tinha confiança de que podia passar, mas mesmo assim fico emocionada de ver meu nome lá, garantiu Patricia. Ela acredita que foi uma recompensa por tanto esforço. Afinal, foi um dos 27 alunos de baixa renda que freqüentaram o cursinho pré-vestibular, mantido pela universidade, aprovados na primeira convocação do exame.
Antes de conseguir uma das vagas da universidade, Patrícia e os colegas já tiveram que lutar e suar bastante. Afinal, nem todo mundo consegue lugar no pré-vestibular da instituição. Em média, são 1,5 mil pessoas que preenchem os formulários a cada semestre. Os inscritos passam por uma triagem sócio-econômica, realizada pelo Núcleo de Bem-Estar à Comunidade (Nubec) da UEL. Os pré-selecionados passam então por uma prova de conhecimentos básicos do segundo grau, disputando 150 vagas.
Da última turma, foram 146 os que fizeram a inscrição no vestibular da UEL. Os 27 aprovados perfazem 18,5%. É um índice muito bom, festeja a coordenador do cursinho, Terezinha Lima Vilela de Magalhães.
Ela lembra que hoje encerra-se o prazo para a retirada dos formulários de seleção para a próxima turma, que pode ser feita no próprio Nubec.
A prova escrita de seleção da próxima turma está marcada para o dia 23 de março, e o início das aulas, para o dia 31. Uma das novidades desse ano é a abertura de mais uma turma de 150 alunos, destinada exclusivamente à comunidade interna da universidade. Os alunos que são servidores terão sua própria turma e aumentarão as vagas para o público externo, ressalta.
Em 2003, nenhum aluno tentou os vestibulares de medicina, odontologia e medicina veterinária. Mas um aluno conseguiu aprovação em direito, uma em estilismo e outra em comunicação social, cursos que, lembra a coordenadora, têm alta disputa de candidato por vaga. Além de Patrícia, foram aprovados outros seis alunos em pedagogia. Letras e geografia, com três alunos selecionados, seguem entre os cursos preferidos pela turma do pré-vestibular da UEL.
Outro cursinho que tem ajudado os vestibulandos menos favorecidos é a Associação Educacional Paulo Freire. Criado em 1999 como grupo de estudos, a entidade, conhecida como Cursinho União, tem uma turma de 200 alunos, divididos em três níveis de ensino: avançado, médio e básico. O pré-requisito é que sejam de baixa renda. Os estudantes que colaboram com mensalidades não chegam a 30. E contribuem espontaneamente. Eles dão o que podem, diz o coordenador do União, Ederval Fernandes Guerreiro. O dinheiro serve para pagar a contabilidade da associação, que tem a parte fiscal em dia.
Ele e outros 31 professores seguem diariamente para algumas salas da escola estadual Benjamin Constant, onde são dadas as aulas. Nenhum deles ganha qualquer tipo de remuneração pelo trabalho. Todos estão nessa por amor à atividade e pelos alunos, frisa Guerreiro. Tem professor que fez até cursinho para dominar o assunto que leciona aqui. O esforço é recompensado pelos resultados. No último vestibular da UEL, 18 dos 74 inscritos do União foram aprovados. A universidade tem ao todo 42 graduandos egressos do Cursinho União.


