Curitiba Entre os cruzamentos mais perigosos de Curitiba, alguns especialmente deixam os motoristas ansiosos. Na Avenida das Torres, entre a Vila das Torres e o Uberaba, grande parte dos motoristas prefere passar pelos semáforos com os vidros fechados e pára lentamente no semáforo, sempre olhando para os dois lados.
Conseguir que eles abaixem os vidros para falar com a reportagem da Folha não foi tarefa das mais fáceis. A dona de casa Silmara Pediani, 55 anos, disse que resolveu andar com os vidros fechados depois de ser assaltada na região. ''Cansei de ser assaltada neste sinaleiro. Ando com os vidros fechados mesmo em horário de pico de trânsito'', afirma.
O comerciante Aldrin Mocelin também é prudente. Ele nunca foi assaltado, mas tem amigos que foram. ''Passo sempre com os vidros fechados, principalmente no semáforo da sede da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná). É muito perigoso'', salienta. Dirigir com o vidro fechado também é prática cotidiana do bancário Cleber Dias, 26. Ele teme ser assaltado. ''Não dá para facilitar. Sou prudente'', diz.
O estudante Luiz Bortolon, 23, também dirige sempre com os vidros fechados. E não é só na Avenida das Torres. Ele faz isto em toda a cidade. ''Sempre com o vidro fechado, mesmo em bairros mais calmos. É melhor assim. A gente não assume os riscos'', confessa.
O despachante Valdir Fernandes, 42, não é tão prudente. Ele dirigia durante o dia com os vidros abertos e só fecha quando anoitece. À noite, ele evita a Avenida das Torres, considerada violenta. ''Não passo por aqui à noite de jeito nenhum. Desvio. Passo aqui só pela manhã'', argumenta. O estudante Carlos Eduardo, 20, também só fecha os vidros à noite. ''À noite só com os vidros e as portas bem fechados. Dá medo. A gente nem pára muito em semáforo, vai devagar até que o sinaleiro abra.''
O taxista Luis Telles, 23, nunca foi assaltado e arrisca a sorte. À noite ou pela manhã, a prática é a mesma: vidros abertos. ''Passo com os vidros abertos a qualquer hora, afinal nunca fui assaltado. Medo dá, mas não vou me prender por causa disto'', diz Telles.

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