Curitiba pensada para o próximo milênio - Cassio Taniguchi
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de maio de 1999
Cassio Taniguchi 
Um estudo divulgado nesta última semana pelo Population Research Bureau - organização não governamental sediada em Washington - demonstra que, provavelmente, no dia 12 de outubro deste ano, nosso Planeta vai estar com exatos 6 bilhões de habitantes. Ao mesmo tempo, previsões otimistas da Organização das Nações Unidas (ONU) fazem o prognóstico de 7 bilhões de habitantes daqui a 14 anos. Claro que estamos trabalhando com estatísticas e, evidentemente, variáveis como grandes cataclismos, guerras e epidemias não estão aqui incluídas.
É fácil verificar que a humanidade nunca encontrou tão grande facilidade para povoar a Terra. Somente no século XX, a população mundial praticamente triplicou. Em 1804, éramos apenas 1 bilhão de pessoas. No início deste século, em 1913, atingíamos 2 bilhões, e em 1960 este número estava duplicado para 4 milhões de viventes. Observada a taxa de crescimento populacional média em todo mundo de 1,4%, crescemos numa progressão geométrica.
Dados esses números, e numa breve análise, o corolário consequente é que o crescimento populacional é diretamente proporcional ao progresso tecnológico. O homem vive mais, tem uma vida melhor, se comparado ao homem da Idade Média, por exemplo. É fato que as melhorias tecnológicas ainda não foram esgotadas e, portanto, a tendência é de se ter como verdadeiras e factíveis as projeções da ONU.
O momento nos obriga a ver o mundo desta forma: num crescimento e mutação constantes. E aos que governam e planejam cabe aqui várias perguntas. Primeiro, onde e como viverá toda esta gente? Segundo, quais são as estruturas montadas pelo Poder Público para alimentar, transportar e empregar todo este exército de homens e mulheres do próximo século?
Desde a década de 50, o Brasil passa pelo fenômeno da migração do homem do campo e concentração populacional em grandes centros urbanos. A industrialização das cidades, o aumento de oferta de emprego, aliados a mecanização da agricultura - enfim, o aprimoramento das tecnologias - e consequente melhoria da qualidade de vida, colaboraram sobremodo para isso. O homem brasileiro é hoje um ente urbano.
Curitiba e sua Região Metropolitana estão dentro deste contexto. A cidade cresce e seus problemas também. Por isso sempre temos em mente a idéia de planejar, pensar no imediato e a longo prazo. Se Curitiba apresenta hoje a possibilidade de oferecer aos curitibanos uma boa qualidade de vida é porque muita gente em décadas passadas se debruçou sobre estatísticas semelhantes a estas que aqui examinamos. Não é por acaso que Curitiba recebe o título de Capital Ecológica e o acaso também não é justificativa para o amor desenvolvido pelo cidadão ao local onde ele vive.
Curitiba é uma causa compartilhada. Sempre que posso afirmo que a preocupação de nossa equipe é com a plena satisfação do cidadão com sua cidade. Para isso, elegemos algumas prioridades imediatas sem perder de vista o planejamento a longo prazo. Às vezes os dois problemas - o imediato e o a longo prazo - confundem-se. É o que acontece, por exemplo, com a moradia, o emprego, a educação e o transporte. Poderia aqui justificar esses problemas como se faz amiúde por aí: culpar a globalização, que tem na economia o seu lado mais cruel, ao lançar para vala comum milhões de excluídos; culpar o crescimento desordenado; esconjurar todos aqueles que de uma forma ou de outra se aproveitam do infortúnio de seus semelhantes.
Mas penso que o momento não é para arrumar desculpas e sim apresentar soluções. Para a moradia, desenvolvemos amplos programas de loteamento sempre de olho no meio ambiente, relocando famílias que moram em áreas de risco e fundo de vales. Temos o Linhão do Emprego, que mais do que um projeto de integração urbana é a maior intervenção feita na cidade de desde a criação da Cidade Industrial, há 25 anos. São 40 equipamentos diferentes: escolas, creches, barracões empresariais, Rua da Cidadania, Liceu do Ofício, Vilas do Ofício, Unidades de Saúde e áreas de lazer. Neste final de século, com um mercado de trabalho cada vez mais exigente, temos a certeza que poderemos oferecer ao curitibano as condições necessárias para que ele alcance um trabalho com as garantias de seu bem-estar social.
No transporte temos uma grande novidade. Estamos desenvolvendo os últimos estudos para dar a Curitiba uma resposta a um dos grandes desafios do próximo século, o deslocamento rápido e seguro dentro da metrópole. A idéia é implantar dentro de cinco anos em nossa cidade o metrô elevado. A obra deve começar a ser executada na BR-116. Serão os primeiros 13 quilômetros de um dos sistemas de transporte de massa mais modernos do País. A BR-116 vai-se transformar num espaço único na cidade, uma bela avenida, com paisagismo e um novo zoneamento, que vai marcar uma nova era em Curitiba.
O sistema a ser implantado na cidade é inédito no Brasil. Estamos estudando sistemas não poluentes, que utilizam energia elétrica como combustível e que possam ser implantados na cidade sem grandes transtornos para a vida dos cidadãos. É um projeto novo ainda não realizado em outra capital brasileira.
Desta forma, acreditamos que estamos compartilhando Curitiba com todos os curitibanos, resolvendo os problemas do presente mas sempre com os olhos voltados para o horizonte do próximo milênio. Com planejamento, coragem para enfrentar os desafios, Curitiba será isso o que sempre foi, nossa casa, nossa escola, nosso trabalho e um lugar com excelente qualidade de vida e ótimo para se viver.
- CASSIO TANIGUCHI é prefeito de Curitiba


