De que forma ocorrerão as transformações urbanas na Região Metropolitana de Curitiba com a instalação das indústrias automotivas e o novo perfil da economia? Este é o desafio para a próxima década, para a próxima cidade. A sensação que se tem é de que vai mudar para melhor e para pior. Aumentarão as oportunidades para a classe média, enquanto as dificuldades para os mais desfavorecidos serão em maior escala. Acreditamos que Curitiba irá enfrentar com maturidade seus novos desafios, superando provincianos ufanismos.
A Curitiba que conhecemos foi planejada para enfrentar um processo de urbanização, decorrente da transformação da capital de um Estado agrícola para uma economia industrializada e de prestação de serviços. No final da década de cinquenta, a base da nossa economia era o café, enquanto o Paraná era o maior produtor do Brasil. Hoje, os problemas que atingem a Região Metropolitana extrapolam os contornos do município de Curitiba.
A divulgação de cidade modelo nas últimas décadas e, ultimamente, através do anúncio de segundo pólo automotivo brasileiro, estão entre as explicações para o explosivo crescimento da Região Metropolitana, preocupante primeiro lugar na estatística nacional. Atualmente as propostas para a cidade têm sido apresentadas através de pronunciamentos mais discretos.
O Seminário sobre o Plano Diretor de Curitiba: uma abordagem Metropolitana, promovido pela Câmara Municipal, reuniu amplo espectro de profissionais vinculados aos problemas urbanos. A presença do autor do plano de 1965, Jorge Wilheim, somada a ex-prefeitos, arquitetos e urbanistas, professores, historiadores, ambientalistas e representantes de segmentos organizados da sociedade, possibilitou ampla discussão, em caráter aberto e sem sectarismo político.
A exposição Próxima Cidade, ocorrida no Museu de Arte Contemporânea, pioneira neste espaço cultural, mostrou que temas como transporte urbano coletivo, Rua XV de Novembro, ocupação de áreas ociosas e desenho de praças públicas, podem ter soluções diferenciadas daquelas propostas pelos órgãos de planejamento de Curitiba.
Novos fóruns de debates irão acontecer tanto nos cursos de Arquitetura e Urbanismo como no do XV Congresso Brasileiro de Arquitetos, a ser promovido pelo IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil, no final do mês de outubro deste ano, em Curitiba. A iniciativa da PUC-PR, na criação do grupo de estudos intitulado Sistemas Ambientais Urbanos, que na sequência se transformará em programa de mestrado, tem como suporte de pesquisa a relação entre meio ambiente e urbanismo.
A sociedade contemporânea é plural, e os problemas que se apresentam são cada vez mais complexos, de forma que propostas de um grupo fechado, com tendência à unanimidade de visão, são indesejáveis e pouco criativas.
Os problemas urbanos que surgirão com o crescimento econômico, previsto para a próxima década, exigirão grande esforço por parte dos órgãos governamentais e da sociedade, sob pena de se perder a capacidade de ação diante da dimensão e complexidade das situações. Para isto Curitiba deverá rever com maturidade as soluções que adotou nas últimas décadas através de uma crítica serena de seus erros e acertos.
- LUÍS SALVADOR GNOATO é arquiteto, mestre pela USP e professor da PUC-PR

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