Cúria Romana pode assumir Igreja se papa piorar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de abril de 2002
Agência Estado 
Indaiatuba - O precário estado de saúde do papa João Paulo II, chefe supremo da Igreja Católica, não faz parte da pauta oficial de assuntos da 40ª assembléia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, no município de Indaiatuba, interior de São Paulo. Mas o tema está nas conversas informais nos salões do Mosteiro de Vila Kotska.
O que aparece de maneira insistente é a preocupação com os destinos da Igreja, que tem 1,05 bilhão de seguidores no mundo, caso a agonia do pontífice se prolongue indefinidamente e ele fique sem condições de exercer o poder nesse caso a Cúria Romana poderia assumir.
Alguns bispos acreditam na possibilidade de renúncia. Outros acham isso quase impossível. O mais provável, dizem, seria os cardeais da Cúria Romana assumirem o controle da Igreja, como já ocorreu outras vezes, quando pontífices enfrentaram doenças degenerativas e prolongadas. Pio XII governou precariamente durante quase oito anos, na década de 50, atormentado por doenças degenerativas. Mas não renunciou.
Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo de Blumenau (SC), diz que o papa já manifestou disposição de renunciar, quando sentir que não tem mais condições de levar adiante sua missão. O bispo acredita que João Paulo II fará isso quando achar necessário.
O cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador, também não descarta a hipótese de renúncia. O papa está carregado de dores e não sabemos até quando ele vai sofrer. O papa renuncia se quiser e não pode ser afastado. Se ele continuar, a Igreja tem condições de ainda ser administrada, esclarece o cardeal.
As autoridades eclesiásticas, no geral, evitam dar detalhes sobre os problemas de saúde do pontífice. O cardeal Agnelo, um dos 126 eleitores que irão escolher o sucessor, enfatiza que João Paulo II continua muito bom intelectualmente.
Enfatizar a capacidade intelectual do pontífice, de 81 anos, tem sido uma norma dos religiosos. O cardeal Giovanni Battista Re, que chefia em Roma a Congregação para os Bispos, contou em Indaiatuba que a memória do papa continua excelente. Para dom Antonio Celso de Queiroz, de Catanduva (SP), a renúncia é improvável. Isso não faz parte dos costumes do papado.
A hipótese de a Cúria Romana assumir o controle incomoda a ala progressista do episcopado. Os curiais são conservadores e podem aproveitar o vácuo no poder para ampliar suas posições na Igreja.


