A descoberta dos romanos vale para os dias de hoje: o povo precisa de pão e circo. A questão aqui é o circo - no sentido de diversão, cultura. Assim que começa um novo ano, os produtores culturais tomam fôlego e vão à luta. Na arena, os leões não devoram cristãos; devoram dinheiro. E na luta para a sobrevivência dos espetáculos, o beneplácito dos imperadores vêm na forma de patrocínio.
São outros tempos, mas o público ainda quer mágica, emoção, ousadia e criatividade. E se antigamente os leões não cobravam nada para comer os cristãos (que também não custavam um centavo), hoje em dia qualquer monólogo exige investimento.
Londrina tem dois grandes festivais - de teatro e música - que já são tradicionais e que todo ano atraem milhares de pessoas. São eventos que projetam nossa cidade e deixam um legado inestimável, não só em números (de espetáculos, de público, de faturamento de ingressos), mas de troca de experiências, de aprendizado, amadurecimento profissional e principalmente, de muita emoção e diversão.
O Filo acontece sempre em junho. Em seguida, o Festival de Música. Curiosamente, não são só as datas que se repetem: os patrocínios também. Entra festival, sai festival, os patrocinadores são sempre os mesmos. E quase todos, nacionais. Graças a Deus pela Petrobrás, pela Caixa, pela Funarte, dizem os cristãos que apreciam a arte.
Mas onde estão os investidores locais? Onde está a participação, o envolvimento do empresariado da cidade? Londrina tem grandes indústrias, empresas, lojas, hotéis, restaurantes, bares... um sem fim de empreendimentos que inclusive se beneficiam diretamente com a vinda de público de outras cidades para participar dos festivais.
Justiça seja feita, algumas empresas locais investem em cultura. Mas são poucas, muito poucas. E a participação delas ainda é tímida. Até quando os festivais vão depender de patrocinadores de fora? Será que não é hora deles começarem a ser sustentados pelo empresariado local? Além de permitir a ampliação de projetos, espetáculos e cursos, esse investimento nem precisa 'custar' nada... pode ser totalmente descontado do imposto de renda. Sem falar no custo-benefício para as empresas. Existe marketing melhor do que uma plateia encantada ?
Lembrando: o Filo é em junho e o Festival de Música, em julho. Faltam só quatro meses... Mas ainda dá tempo de ''acordar'', abrir a bolsa e participar do espetáculo.

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