CULTURA EM LONDRINA - VERDADE OU MENTIRA?
Quero apresentar minha indignação com a Secretaria de Cultura de Londrina, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Não sei quais critérios são usados na aprovação dos projetos, se é mesmo cultural, apadrinhado, político ou qualquer outra forma, mas levanto dúvidas de sua veracidade. De maneira nenhuma quero desqualificar os projetos aprovados, pois muitos são de qualidade e extrema necessidade para nossa cidade
Sou produtor cultural do Projeto Saber e há anos realizo em várias cidades do país a divulgação nas escolas públicas de um livro intitulado Produção de Texto - Leitura e Redação, do autor londrinense professor Celso Leopoldo Pagnan, mestre em Literatura Brasileira e doutor em Literatura de Línguas; um livro analisado e aprovado pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná. Por meio de pesquisas realizadas em várias universidades do território nacional, constatou-se a grande deficiência dos alunos da rede pública de ensino com a leitura e a produção de textos e assim prejudicando este mesmo aluno na hora de prestar o vestibular.
O mercado apresenta vários títulos sobre o tema, mas o maior problema é a dificuldade financeira que passa a maior parte dos alunos, e estes livros custam em média R$ 25,00. Meu projeto trabalha com o livro aqui apresentado a preço de custo - por apenas R$ 10,00, levando-o direto da editora para a sala de aula, excluindo assim o intermediário. Fazemos palestras com assessores culturais incentivando os alunos na leitura e na redação, isto tudo com autorização da Secretaria de Educação do estado e com a aprovação da direção da escola e da APM.
Ao final do ano de 2001, foi noticiado em todos os canais de comunicações existentes no Brasil, três péssimas notícias a respeito da educação. São elas:
1ª - O Brasil ficou em último lugar no ranking de educação chamado PISA, onde concorreu com mais 32 países;
2ª - No ENEN, no ano de 2001, quando o Ministério da Educação isentou os alunos da rede pública da taxa de R$ 30,00, participaram 1.200.000 alunos mas a nota média foi de 40,6 numa escala de zero a cem, contra 60,87 no ano de 2000. O ministro acredita que o aumento dos alunos da rede pública foi o principal responsável pela queda das notas;
3ª - A última e a mais grave notícia, foi sobre a aprovação de um analfabeto no vestibular, forçando assim o governo a baixar uma portaria (nº 2941 a entrar em vigor em 2002) obrigando a redação em todos os processos seletivos existentes no país.
Mesmo com todos esses argumentos, não conseguimos atingir nem 10% de uma sala de aula, devido ao baixo poder aquisitivo dos alunos. Como autor do Projeto Saber, resolvi participar da Lei de Incentivo à Cultura, considerando esse tema como cultura básica, com um projeto independente e beneficiar a todos os alunos do 3º ano do ensino médio das escolas públicas de Londrina, num total de aproximadamente 5.000 alunos. O projeto seria realizar palestras em todas as salas de aula mostrando ao aluno a importância da leitura e da redação para vestibular e também da redação comercial, preparando o aluno para a vida profissional. O mais importante é que todo aluno receberia, sem nenhum custo, um exemplar para auxiliá-lo na sala de aula.
Acredito assim ser uma proposta cultural, pedagógica e social beneficiando a toda a comunidade. Mas, para a Secretaria de Cultura, o projeto foi reprovado por não estar diretamente vinculado à política cultural do município como assina o coordenador da comissão de avaliação Sr. Alessandro Kleber Batista, que aprovou projetos como festa da mandioca, da leitoa, do boi no rolete, do café com frango, nordestina, Berimbau da cidadania entre outras. Por tudo isso, quero alertar aqui a população e as autoridades locais competentes da veracidade e dos critérios usados por essa comissão. Talvez meu projeto não traga voto na próxima eleição e as festas populares sim, mas acredito que traga cultura, sendo hoje alunos mas amanhã cidadãos graduados em Londrina.
WELLINGTON OEDA DO CARMO, produtor cultural em Londrina





