Cultura do machismo
Os dias que antecedem a celebração do Oito de Março não devem ser os únicos para reflexões sobre a condição feminina e suas demandas específicas. Mas, se são nestes primeiros dias de março que a sociedade escolhe para se debruçar sobre o tema, há de se tirar o máximo proveito deles.
A questão, afinal, não é secundária, envolve o equilíbrio e o bem estar dos gêneros, a capacidade de governos e dos cidadãos de garantir a plenitude dos direitos de igualdade e de paz que devem reger a vida desta república com pretensões democráticas.
O caminho é longo. As conquistas das mulheres no decorrer das últimas décadas - um resultado mais da luta cotidiana por espaço e reconhecimento do que pela efetividade das políticas oficiais - são afrontas à cultura do machismo que ainda nos permeia.
Estatísticas sobre o feminicídio mostram que muitos brasileiros ainda não estão dispostos a tolerar uma sociedade mais justa e igualitária. Segundo um estudo de fôlego do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, 5 mil mulheres morreram por ano entre 2001-2011 somente por não serem homens.
Não há, portanto, ponto mais prioritário na políticas em prol da igualdade de gênero do que debelar esSa cultura do massacre que recrudesce em pleno século 21. Um exemplo de como a sociedade clama por providências é o Ligue 180, um serviço de captação de denúncias criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), em 2005.
Do outro lado da linha está um País trêmulo e acuado pela violência. Segundo reportagem publicada por esta FOLHA hoje as denúncias no serviço cresceram 20% em 2014. A soma dos episódios de cárcere privado subiu 50% e os de estupro, 18%. Mais da metade das ligações denunciavam casos de agressão física. No Paraná, o Ministério Público informa que 79% dos crimes contra a mulher foram praticados por maridos ou companheiros ou ex-maridos e ex-companheiros.
Ou seja, há muito o que fazer: dotar as forças de segurança de conscientização sobre o problema; punir, de fato, os crimes; incluir a desigualdade de gênero nos debates do âmbito escolar; aperfeiçoar as estrutura de amparo às vítimas; ajustar a legislação sempre que necessário.
Antes disso tudo, entretanto, é preciso entender a gravidade da situação e quão em débito estamos na proteção de mais da metade da população.





