Cultura da violência
Pesquisa divulgada ontem aponta que dois a cada dez adolescentes brasileiros já foram vítimas de algum tipo de agressão. O dado foi coletado em 2012 e faz parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, elaborado pela Universidade Federal de São Paulo. As meninas seriam as principais vítimas; agressões de menor potencial, como empurrar, beliscar e arranhar lideram o ranking. No entanto, em 11,9% dos casos, os menores relataram que já apanharam até ficar com marcas pelo corpo.
A pesquisa ainda relaciona as agressões ao consumo de álcool e drogas na vida adulta. Outro ponto importante é que os índices praticamente não oscilaram na comparação com o último levantamento, feito em 2006. Agressões contra crianças e adolescentes ainda são uma prática culturalmente aceita pela sociedade, até como forma de educar os filhos. Os casos só chocam quando extrapolam e acabam em morte da criança ou deixam sequelas graves.
No entanto, a violência precisa ser estancada. Se é comprovado que agressões sofridas na infância e adolescência deixam, no mínimo, sequelas psicológicas que vão desde traumas à dependência de álcool ou drogas é preciso rever a questão. A violência, de modo geral, tem que deixar de ser encarada como "um fato normal". Não é. E para mudar esse panorama, é preciso desenvolver um intenso trabalho de conscientização e de educação junto à população.
Pessoas com mais informação reconhecem a importância do diálogo e conseguem até reconhecer mais facilmente quando um menor está sendo vítima de violência. Geralmente eles são o elo mais fraco e, por isso, acabam intimidados ou ameaçados a não contar as agressões sofridas. O Brasil precisa proteger suas crianças e fazer valer as garantias constitucionais desse importante grupo da população.





