Cultura da paz fundamentada na justiça social
A paz buscada é a paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito aos outros e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, ditada pelo uso da força e a intolerância com os diferentes. Este é um trecho do documento da Campanha da Fraternidade de 2009, lançada ontem pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Fraternidade e Segurança Pública é o lema desse movimento anual da Igreja Católica brasileira e que já chega aos 46 anos de existência.
São sempre importantes essas campanhas, por caminharem paralelas aos anseios da população em diferentes causas sociais, e porque também alertam e motivam as autoridades e a própria comunidade na busca das soluções. Se os avanços são lentos, isto se deve à magnitude das questões sociais no Brasil também geradoras de violência e às próprias negligências da sociedade. Por isso o olhar da campanha para a busca da transformação social das pessoas, individualmente, e dos grupos.
Em Londrina a Campanha da Fraternidade será lançada hoje, às 19h30, em missa na Catedral Metropolitana, porque ela toca os cristãos, estes também convocados a promover uma cultura de paz fundamentada na justiça social. Um enfoque da campanha estriba-se na constatação já atestada de que o problema da segurança não se resolve apenas com o aumento do número de policiais e de prisões. Este é um pensamento capitalista, que situa a violência apenas no setor patrimonial e econômico, mas deve-se promover uma discussão mais ampla, visto que entre as causas (da violência) estão as injustiças sociais, de longa data, e questões relacionadas com saúde, desemprego, educação, drogas e corrupção, declara o arcebispo emérito de Londrina, Albano Cavalin. O mesmo pensamento é do comandante geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Anselmo José de Oliveira. Entre suas defesas ele diz com propriedade, que é preciso construir uma base social que motive mudanças no comportamento das pessoas.
Paralelamente, um trabalho importante, anunciado pelo arcebispo metropolitano de Curitiba, Moacyr Vitti, é o trabalho da Igreja com os presos, para que descubram seus próprios valores e assim caminhem no rumo da reintegração à sociedade. Este propósito tem consonância com as palavras de Dom Albano de que as prisões são escolas de crime. Resgatar os valores da família e da busca da solidariedade é outro objetivo fundamental da campanha. Elevando-se a consciência do meio social diminui-se os problemas do desemprego, da miséria e da violência.





