Cultuar o sentido do Natal
A corrida do comércio para aumentar as vendas e a antecipação da campanha do Natal fazem parte do calendário de eventos e são naturais. Se as festas de fim de ano são uma grande oportunidade para os lojistas, isto não invalida que as pessoas, individualmente, celebrem com devoção o Natal. Se há uma obstinação pelas vendas, isto é motivado também pela injeção de dinheiro extra do 13º salário. Quanto aos consumidores, estes têm demonstrado, conforme as pesquisas, que um expressivo porcentual de cidadãos vai usar esse salário para pagar dívidas.
Parte desse dinheiro, obviamente, também se destinará à compra de presentes, que já é da tradição. Se o Natal aparenta estar desvirtuado e sufocado pelo comércio, é verdade que muitos cristãos têm quebrado a tradição e elegeram Papai Noel como um dos símbolos natalinos. Na noite de véspera do Natal o que acontece é sempre um lauto jantar e tem pouco de reverência ao simbolismo do nascimento de Jesus. Se as vitrinas do comércio e as luzes exteriores do Natal induzem as pessoas às compras, não há impedimento para que mentes e corações se voltem também para o sentido maior do dia magno da cristandade, porque esta é uma postura do íntimo de cada um. As coisas não são excludentes. Às vezes, os apelos do comércio até despertam para o momento da celebração cristã.
Estes comentários vêm a propósito de um costume vicioso que também já está se tornando constante, o de as pessoas dizerem que o Natal está perdendo o significado. Se isto é ou não uma verdade, incumbe a cada um que assim pensa mudar a si mesmo e restabelecer o verdadeiro sentido natalino. Com toda a certeza existem, e em grande número, aqueles que acham o tempo do Natal uma época especial, agradável, familiar e sobretudo cristã.
Se existe o forte apelo do comércio, pode-se comprar até onde for da vontade de cada um - porque dar e receber presentes é bom - mas também festejar o Natal e todas as belezas que esse acontecimento simbólico encerra. Há tempo e espaço para as duas coisas.
O fato de haver famílias e crianças que não sabem o verdadeiro sentido do Natal, conforme se ouviu de depoimentos a este Jornal, tem como causa a postura de instituições como a família, a escola, a igreja, que não ensinam e não cultuam essa festa da forma que era antigamente.
Hoje muitos avós e pais se fantasiam de Papai Noel, na noite de Natal. Isso não os impede de montar um presépio em que se destaquem Jesus, a Sagrada Família e o mistério do Nascimento. Adotar de novo esse costume, como era no passado, dependerá muito de decisões familiares, das religiões e de cada um em particular. Se muitas pessoas declaram que o Natal de hoje não é como outrora, bastará cada um fazer que assim seja de novo.





