Em cartaz, o mais novo filme brasileiro: ‘‘Faroeste Brasil’’. A história retrata uma briga, uma peleja, uma tourada, uma luta, um duelo, uma vergonha, aliás, muitas vergonhas, barbáries à moda da casa, entre homens eleitos pelo povo para legislar em prol de uma nação. O local onde os gladiadores pelejam é nada menos que o Congresso onde, segundo a própria legislação, deveriam imperar a moralidade, a legalidade e a eficiência.
Ah! Se este preâmbulo fosse um simples sonho, claro que tal condição lhe colocaria no posto de pesadelo. Mas que assim fosse. Ou uma ficção, facção, ou ainda um mero filme, a estrear nas melhores casas do ramo.
O pior é que estes franco-atiradores se digladeiam de forma real. Picaram em fatias o artigo 37 da nossa Constituição Federal (adicionaram os artigos 51 caput: ‘‘Compete privativamente à Câmara dos Deputados: inciso IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia...’’ 53 caput: ‘‘Os deputados e senadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos...’’ 55 caput: ‘‘Perderá o mandato o deputado ou senador: inciso II, cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar...’’ entre outros). Despejaram tudo sobre uma massa em cujo rótulo lê-se ‘‘farinha do mesmo saco’’, rechearam as bordas, assaram e serviram em rodízio.
Confesso tentar não fazer deste uma redundância, pelo assunto enfocado, sobretudo quando temos em memória todas as interpéries da política nos últimos tempos, na esfera federal, na estadual e na municipal.
Inócuo será, por ora, discernir o certo do errado, por exemplo, nas feitas dos nossos administradores públicos na atual conjuntura política. Os discursos são impregnados por cenas e palavras estonteantes, tudo em defesa das falcatruas, que exorbitam há tempo no ‘‘teatro Brasília’’. Suas palavras são rotuladas pelas verdades mentirosas ou pelas mentiras verdadeiras? Quem está falando a verdade? A verdade está vindo à tona porque eles estão mentindo, ou eles estão mentindo porque a verdade está vindo à tona? E agora, Tostines?
Entre direitos e deveres possuímos, se não a melhor, uma das mais completas Constituições do Planeta. Porém, em face ao papelão que assistimos, por atores responsáveis efetivamente pela elaboração da lei, direta e indiretamente, concluímos que a lei brasileira protege os fora da lei. Não há mais espaço na política para aqueles que trabalham dentro da lei, absurdamente. Os valores estão claramente invertidos. Parecem contaminar a retidão com pedágios, abrindo desvios por caminhos impuros, incertos, ilícitos. Ademais, aquilo que conhecemos como princípio partidário, político, democrático, social, moral, legal etc, por onde estaria? Junto à P-36? E os milhões e milhões de reais assaltados dos cofres públicos, depositados em bancos nos paraísos fiscais, em Marte, sumiram? Vai ver depositaram no Triângulo das Bermudas.
Não seria por esta razão (a da não devolução da bufunfa) que o juiz Nicolau e outros se propõem a aceitar a prisão, não se sabe até quando, sabendo que jamais vão devolver o dinheiro? ‘‘Se é para a felicidade geral, não da Nação mas a minha, digo que fico, mas a grana também fica!’’, diriam.
Do escândalo (dolo) atual no Senado, atribuir-se-á tal culpabilidade a Antonio Carlos Magalhães, o ‘‘Toninho Malvadeza’’? Ele contesta Arruda, até então ‘‘chefe do governo’’ na Casa, e a ele atribui a responsabilidade da fraude no painel. Arruda culpa Regina, que culpa os subordinados, que culpam fulano, que culpam sicrano, que culpam beltrano, que culpam... por fim, encontra-se quem culpar. Adão e Eva, afinal, eles são os responsáveis por todas essas dúvidas cruéis. Eles começaram tudo. E colocaram a culpa na maçã.
Contudo, começamos com o faroeste do colarinho branco, passamos pela culinária, retrocedemos na história. A maçã é para Adão e Eva; a culinária é nossa, saúde! E para os primatas, uma clava!
Clava. Pau pesado, mais grosso num dos extremos, que se usava como arma – segundo o Aurélio, não a Constituição. - Artigo 37: ‘‘A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.’’ Preâmbulo: ‘‘Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa da Brasil.’’
Alguém precisa falar para eles: ‘‘Tomem cuidado! Deus castiga.’’
- CLEI GILBERTO BROENSTRUP é administrador escolar em Umuarama, Cascavel e Londrina
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