Cuidar-se e lutar pelas causas da saúde
É fundamental a organização popular para obter os atendimentos de sáude, e muitas conquistas alcançadas resultaram da mobilização de comunidades reivindicantes bem articuladas. E não só nas questões de saúde mas em todo o vasto campo das reivindicações humanas.
O promotor Paulo Tavares, da Defesa da Saúde Pública e Garantias Constitucionais, em Londrina, reforça esse argumento em declaração de ontem a este Jornal, no contexto de reportagens tratando da luta por medicamentos quando faltam recursos pessoais, da fila de obesos aguardando por cirurgia do estômago e dos atendimentos em geral pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma boa notícia é que a Secretaria de Saúde do Estado está propondo ao governo federal o credenciamento de mais 12 hospitais, no Paraná, além dos cinco já credenciados para atender às cirurgias citadas. A Associação dos Obesos de Londrina tem cobrado a ampliação de tal atendimento.
São movimentos assim que resultam em mobilização das autoridades e das instituições. Os obesos representam um custo social, por causa de problemas de saúde e outros atendimentos especiais, por isso o investimento que se fizer em cirurgias que melhorem sua condição é também uma economia de Estado.
Se o cuidado contra a obesidade implica também em cobrança a cada indivíduo com excesso de peso, a intervenção médica de redução do estômago tem sido uma via muito procurada. A boa saúde é um direito constitucional de cada cidadão mas é também um dever dele próprio.
Portanto, é preciso solucionar o problema quando ele já se instalou, então a mobilização em grupo é fundamental. Inclusive para obtenção de medicamentos excepcionais e de alto custo que não podem ser adquiridos pelos doentes e por isso o poder público tem de fornecê-los.
Os dois caminhos precisam ser trilhados paralelamente: o cuidado individual para evotar, por exemplo, vícios nocivos; a prevenção de outros riscos, incluindo os de acidentes de trânsito e de trabalho; e a pressão popular para obter os benefícios de saúde pública, porque os cidadãos pagam elevados impostos para isto.





