Cuidar melhor de praças e parques
Reportando-se a artigo do professor de Arquitetura e Urbanismo, Alessandro Filla Rosaneli, publicado ontem nesta página, constata-se mais detalhadamente o estado de precariedade em que se encontra a quase totalidade das praças de Londrina, considerando-se itens como condição de uso, adequação, projeto urbanístico e estado de manutenção. Em pesquisa com seus alunos, ele colheu a resposta de que as pessoas não frequentam as praças porque são locais ''abandonados e perigosos''. Duas verdades incontestáveis: a do abandono e a desse receio. Que remetem para a pergunta sobre o que faz o poder público que não cuida desses locais e nem os policia. Estudo monitorado pelo professor constatou que quase metade das praças, nas regiões levantadas, não se apresenta suficientemente adequada ao uso público, e 65% das praças da periferia encontram-se em situação precária. E na zona oeste da cidade 82% delas estão em completo abandono. O resultado global constatado é que apenas 15% das praças encontram-se em situação ideal para a plena utilização pela população. O estudo induz a avaliações diversas, porque é certo que caso de Londrina as pessoas não apreciam muito frequentar praças e parques públicos. A razão pode ser a falta de estrutura como o levantamento feito revela ou uma questão de costume. Um exemplo é que a aprazível margem pública do lago Igapó, com suas árvores e gramados e a presença da paisagem aquática, não seduzem muito as pessoas, a não ser para as caminhadas pela pista da margem. Certo é que, a não ser as coisas naturais, faltam ali equipamentos como bares e restaurantes e sanitários decentes. A Prefeitura deveria estabelecer modelos e abrir concorrência para a instalação desses serviços, e, naturalmente, exercer policiamento para que tal não se converta em ponto de imundície ao redor uma das mazelas da cultura brasileira em locais que não são fiscalizados. Porque, nas praças de alimentação dos shopings, por exemplo, as pessoas de todas as camadas sociais assumem comportamento civilizado, significando que onde há boa apresentação do ambiente e fiscalização, os frequentadores comportam-se de forma correspondente. O professor revela que outra questão é as pessoas pesquisadas perguntarem porque a Prefeitura não constrói ''algo mais útil'' nesses pontos eventualmente os equipamentos citados e outros, de cunho educativo e cultural. Ele diz que ''os homens públicos esquecem-se da importância sócio-política, estética, cultural e ambiental que as praças sempre tiveram na história das cidades ocidentais''. Fica a interrogação sobre se as praças não são frequentadas pelo povo porque falta a elas infra-estrutura e segurança, ou não existem essas garantias porque o povo não as frequenta. Antes de desvendar esse enigama, o poder público deveria fazer a parte que lhe cabe, e, quem sabe, o povo começaria a tomar mais gosto por praças e parques.





