O Brasil está envelhecendo. Melhores condições de vida têm aumentado a longevidade da população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), haverá um acréscimo de 16 milhões de pessoas com mais de 60 anos no País em 2025 . Com isso, muitas famílias passaram a conviver em casa com parentes idosos, que precisam de atenção. O problema é que muitos não conseguem dar todo o cuidado que o idoso precisa, principalmente quando ele está acamado, por exemplo. Por esse motivo, vem crescendo a procura por profissionais chamados cuidadores.

Cuidador é quem faz o elo entre o idoso e a família, os serviços de saúde, os poderes públicos constituídos, os grupos de convivência e lazer e a comunidade em geral. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) reconhece a ocupação desde 2001. A função foi oficializada pela portaria 5.153, de 7 de abril de 1999, que considera a necessidade de habilitar recursos humanos para cuidar do idoso e de criar alternativas que proporcionem melhor qualidade de vida a eles.
Em Londrina já existem alguns cursos para cuidadores. O objetivo é capacitar os interessados, mas mostrar também que, embora seja uma atividade em expansão e que não requer conhecimentos muito específicos, não pode ser desempenhada por qualquer pessoa.
''É preciso ter paciência, gostar de idosos, ter convivido com algum idoso em casa antes pode ajudar a definir se a pessoa vai gostar da ocupação. A pessoa também precisa ser equilibrada, não ter grandes problemas emocionais ou de saúde, como restrição para pegar peso'', afirma a gerontóloga Genilda Pozzetti Stábile, diretora de Proteção Social Especial do Idoso.
Sandra Regina Cervejeira é enfermeira e professora do Colégio de Enfermagem da Irmandade Santa Casa, que no ano passado também ministrou curso de cuidadores. Ela afirma que, mais do que fazer companhia, o cuidador deve estar apto a prestar os primeiros socorros em caso de emergência e também dispensar cuidados diários como higiene, alimentação e administração dos remédios. Também é preciso disponibilidade de horário, já que a função exige que se trabalhe dia e noite, além de finais de semana e feriados. É necessário ainda bom preparo psicológico.
Cooperativa de cuidadores
Verônica Aparecida Nogueira, Rosane Romagnoli de Oliveira e Ivone Gomes Nogueira formaram uma cooperativa de cuidadores. Elas fizeram juntas um dos cursos oferecidos em Londrina e trabalham em um grupo de 15 pessoas. Algumas contam inclusive com formação em enfermagem. O grupo atende em residências e hospitais.
Uma das pessoas de quem Ivone toma conta é Maria Jandira Mantovani, 87 anos, que já tem algumas deficiências comuns da idade, como esquecer o fogão aceso e tomar remédios errados. Sua filha, Neide Mantovani Bategliana, optou por contratar um cuidador por não ter tempo para dar a assistência necessária. ''Precisava de uma pessoa para me ajudar pois não podia deixá-la sozinha nem cuidar dela o tempo todo'', justifica.
Para o grupo, a vantagem de ser uma cooperativa é tornar mais fácil a organização dos plantões e das folgas. Para quem contrata, fica a segurança de que sempre haverá alguém pronto a substituir o cuidador em caso de algum imprevisto.
O segredo do sucesso nesta área é o seguinte: os interessados devem estar preparados. Segundo Verônica Nogueira, candidatos mais velhos saem em vantagem pela falta de rotina nos horários.

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