A descoberta de doenças graves é sempre um susto para o portador e para a família. Quando a enfermidade é crônica e altera o comportamento do paciente, a situação se torna ainda pior. Doenças como Alzheimer, esquizofrenia e outras demandam cuidados constantes e nem sempre é possível pode contratar um profissional.

É comum o cuidador ficar sobrecarregado e isolar-se dos amigos para zelar pelo paciente. Nesse ponto é preciso muito cuidado, já que a saúde mental de quem é responsável pelo bem-estar do portador da doença pode ficar prejudicado.

Para dar dicas de como o cuidador pode viver melhor, a psicóloga Michelle Gonçalves Moreschi ministra hoje a palestra ''Cuidando do cuidador de Alzheimer'', a partir das 15 horas, no auditório da Catedral Metropolitana de Londrina. Nesta entrevista, ela adianta alguns dos pontos que serão tratados e alerta: ''Ele (o cuidador) tem que ter um suporte, um apoio emocional, seja na comunidade, seja buscando terapia.''

Dizem que o Alzheimer causa mais dor para a família do que ao paciente. Por quê?
A família já sofre durante o diagnóstico. Ela percebe que vão surgir alguns sentimentos, entre eles a pena, porque pensa que vai perder o ente querido. Surge também uma impotência diante do comportamento desse paciente, que passa a agir de forma diferente.

O cuidador imediato tende a ser um só, nem sempre a família consegue disponibilizar mais cuidadores e ele acaba se afastando do lazer, do convívio social. Muitas vezes o paciente causa algum embaraço para a família, como, por exemplo, se despir em público ou falar alguma coisa que não convém naquele momento. E quem sofre com essa situação é o cuidador.

Quais são os maiores erros dos cuidadores?
É justamente esse afastamento. Há também um aparato que ele deve buscar: mais informação, um grupo que o apoie, que traga mais informação e solidariedade.

A família deve optar por um enfermeiro? Quando fazer isso?
Essa questão depende muito do processo que envolve essa família. Quais são as condições financeiras para isso? Muitas vezes o cuidador tem que oferecer esse tipo de ajuda sozinho. E não saber como se capacitar para oferecer esses cuidados faz com que o parente acabe tomando alguma atitude que muitas vezes pode trazer complicação para o paciente.

Outra opção são as clínicas, mas a sociedade às vezes olha como se o doente estivesse sendo abandonado, não é?
Exatamente. É o abandono, porque falamos de uma doença que envolve a demência, o paciente vai perdendo a memória recente, depois a linguagem. Como fica esse paciente que se recorda mais do passado do que do presente? Ele passa a não ter mais aquele cuidador que é o familiar e isso gera ao cuidador uma culpa maior de levá-lo a uma clínica ou a uma casa de apoio e visitá-lo apenas no fim de semana.

Mas o internamento é recomendável?
A família tem que ver o suporte que tem para isso, seja financeiro ou emocional. Ela tem que saber qual é o limite dela. Se não conseguir dar conta da demanda, pensando na qualidade de vida do paciente, é melhor que ele vá para uma casa de apoio. Agora, se a família tem algum mecanismo que envolva mais familiares ou possa pagar um enfermeiro, por que não mantê-lo em casa?

Como o cuidador deve proceder para dar a devida atenção ao doente e manter sua saúde emocional?
O importante é avaliar como a pessoa está se sentindo frente a esse cuidar e abrir alguma válvula de escape no sentido de se expressar sobre isso. (Deve) Buscar também lazer e não acreditar que simplesmente tem que dar conta. Ele tem que ter um suporte, um apoio emocional, seja na comunidade, seja buscando terapia.

Nem sempre a família consegue disponibilizar mais cuidadores

Muitas vezes o paciente causa algum embaraço

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