Podemos até não perceber, mas é cena muito comum nos depararmos diariamente com cães e gatos soltos nas ruas. Muitos não têm dono, outros são os chamados semi-domiciliados - têm casa mas passam o dia todo passeando nas ruas. Como consequência, acabam atropelados, são vítimas de maus tratos e de doenças. Os que sobrevivem, por não serem castrados, se reproduzem e acabam criando um ciclo vicioso.

Para ajudar a minimizar essa situação, socorrer os animais abandonados e ajudá-los a encontrar um novo lar, foi criada a ONG SOS Vida Animal. Em entrevista à FOLHA, a presidente da organização, Marianna Nogueira, aponta as dificuldades em manter os trabalhos, que dependem da comunidade para continuar sendo feitos.

Como funciona o trabalho da ONG?
Nós trabalhamos em cima de quatro eixos: o incentivo à posse responsável, castração para diminuir a super população, atendimento a animais em sofrimento nas ruas e encaminhamento para adoção. Não temos abrigo, pois achamos que isso incentiva o abandono. Trabalhamos com lar temporário, alguns voluntários que têm uma casa e aceitam abrigar os animais até as feiras de doação. Também colocamos anúncios no jornal, na internet, no rádio.

Qual a maior dificuldade de vocês?
A falta de recursos financeiros. Não tem nenhuma outra ONG em Londrina e a prefeitura não presta nenhum tipo de serviço. A SEMA não está mais recolhendo cavalos. Os bombeiros estão começando a recolher os pit bulls, mas pelo que sabemos a prefeitura não construiu o canil que havia prometido. Eles recolhem, mas quem faz todo o trabalho para tentar arrumar lar somos nós. A demanda é muito grande de animais atropelados, abandonados. Nós não temos recursos para ficar atendendo todos os animais que têm por ai, infelizmente. Então temos que contar com ajuda da população.

O que a ONG espera do próximo prefeito?
Precisamos que o município se responsabilize pela castração. Nós não queremos centro de zoonoses, porque vai virar abandono geral de animais. Queremos que eles façam a castração dos animais de rua e da população carente. Nós fizemos um projeto e estamos entregando para todos os candidatos. Outro objetivo nosso é que esse projeto de castração seja permanente na cidade, e seja feito um controle de zoonoses. A grande maioria da população não vacina, nem para raiva. Um outro projeto que pedimos é que as pessoas tenham que registrar seus animais, inclusive os cavalos. As carroças devem ser emplacadas para, quando vermos uma situação de maus tratos, termos como notificar o carroceiro. Enquanto não começarmos a punir quem maltrata um animal, as coisas não vão mudar.

De onde vem os recursos que vocês têm?
Só de doações. Não temos parceria com nenhuma empresa. Os veterinários são voluntários, fazem preços mais baratos, não cobram a consulta. Não temos verba de orgão público nem convênio com alguma empresa grande, que possa todo mês estar contribuindo. Aceitamos doação de ração, remédio, material de limpeza, produtos de petshop como talco anti-pulgas, sabonete anti-sarna.

Como funciona a posse responsável?
É o ato de prestar atendimento veterinário, ter um local adequado para o animal ficar, não ficar preso dentro de canil apertado, não deixar ir para a rua, castrar, dar carinho, atenção, comida de qualidade. A maior parte dos animais abandonados é de gente que pegou o animal e depois que ficou doente, ficou velho, pôs na rua.

Por que é tão incentivada a castração, mesmo dos animais que têm dono?
Porque o abandono está ligado de uma certa forma a não castrar o animal. Você tem uma cachorra em casa e não é castrada: se o muro for baixo, ou se a pessoa deixa dar aquela voltinha na rua, vem um cachorro e cobre. Ela volta para casa, daí a 60 dias nasce a cria, que muitas vezes é jogada na rua. Maus tratos também estão relacionados a isso. Tem gente sem paciência que bate na cadela, deixa amarrada. A castração também é para controle populacional.

Como a ONG vê a questão dos animais nos circos?
Nós consideramos maus tratos. Eles não usam adestramento inteligente, adestram com choque, com espetos, ganchos. Além disso, o animal fica acorrentado, mora em uma jaula apertada. Quem vai soltar um leão para dar uma voltinha? Não tem como. Circo não tem que ter animal, tem que ter palhaço, malabarista. Animal tinha que ficar em seu habitat na natureza.

mockup