A Vigilância Sanitária Municipal, órgão vinculado à secretaria de Saúde, é responsável pela fiscalização da qualidade dos alimentos comercializados em Londrina - tanto de ambulantes quanto de estabelecimentos tradicionais. O quadro reduzido de pessoal, porém, vem prejudicando os trabalhos. A fiscalização de fim de semana praticamente não existe e, neste mês, a fiscalização noturna também foi suspensa em razão do corte de horas extras. A Vigilância já encaminhou pedido de melhorias à secretaria, mas ainda não houve resposta positiva. A seguir, as declarações da coordenadora de Alimentos e Zoonose da Vigilância, Graça Deliberador.

O alimento vendido por ambulantes londrinenses é seguro?
Toda licença para ambulantes é feita após uma vistoria das condições sanitárias. Isso significa que no momento da vistoria a pessoa está de acordo com as normas. Se o vendedor de pastel, por exemplo, faz a massa em casa, a gente também vai na residência para saber se tem as condições exigidas. Se não estiver tudo em ordem, não tem licença.

E posteriormente, há fiscalizações?
Não. Deveríamos ter, mas o quadro de pessoal hoje - oito pessoas para atender toda a cidade - é pequeno. Em boas condições, o ideal seria passar pelo menos de duas a três vezes por ano naquele ambulante.

Qual o déficit de fiscais?
Uma cidade como Londrina deveria ter, ao invés de cinco, uns dez técnicos, além de dez auxiliares.

Quais alimentos vendidos por ambulantes são mais perigosos?
Produtos de origem animal, como frango, salsicha, mortadela e bacon. Esses alimentos contém sangue e naturalmente apodrecem muito mais rápido que um vegetal. Eles não podem, em hipótese alguma, estar expostos ao tempo. Além disso, temos a maionese que é de altíssima perecibilidade. Se não tomar cuidado, dá surto mesmo. Em Londrina a maionese caseira não é proibida como no estado de São Paulo. Se um vereador abraçar nossa causa, seria muito interessante. Por outro lado, garapa e pipoca são de baixíssimo risco. Já os espetinhos não são permitidos para ambulantes porque são bem perigosos.

Como é feita a fiscalização nos jogos de futebol, geralmente nos finais de semana, shows noturnos e outros eventos?
Faz algum tempo que não vamos mais nesse tipo de festa (jogos de futebol) porque não temos efetivo nem trabalhamos aos domingos, então não sei como eles estão. As fiscalizações noturnas a gente tinha até o mês passado, mas em novembro recebemos aviso de que houve corte por causa das horas extras. No mês que vem, a fiscalização noturna pode voltar, depende da secretaria. O nosso coordenador já encaminhou pedido para liberar, mas ainda não temos resposta.

Qual é o local de ambulantes mais perigoso em Londrina?
O pior, que não tem solução até hoje são os ambulantes do terminal urbano. Nós fizemos um levantamento há seis meses e passamos para a secretaria de saúde. Começa desde o local bastante insalubre, por causa dos ônibus, da fumaça e da água parada nos bueiros. Não há um ponto de água para lavagem de mãos dos ambulantes. Muitos alimentos ficam expostos ao sol nos carrinhos. O uniforme, uns usam, outros não, e tem várias pessoas que nem fizeram treinamento em higiene de alimentos. Com tudo isso, a gente não sabe como está a qualidade micro-biológica dos alimentos.

Quais cuidados o consumidor deve tomar ao consumir alimentos em ambulantes?
Alimento de origem animal deve ser mantido sob refrigeração, o carrinho tem que ter o um lugar preparado para isso. Outra coisa, é melhor a maionese industrializada que a caseira. Se for caseira, tem que ser no sachê. E o consumidor deve ficar de olho também na higiene e limpeza do ambulante.

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