O que fazer com tanta informação que nos chega a todo instante? Dar um tempo, foi a resposta encontrada pela psicopedagoga Lélis Marino Duarte, coordenadora do projeto OPA (Orientação, Partilha e Aconchego), criado há dois anos e que reúne profissionais de áreas diversas. O grupo decidiu criar um tempo para discutir a questão da educação e, no último encontro, realizado quinta-feira passada, debateu o problema do excesso de informação.
A discussão foi provocada pela palestra feita pela psicopedagoga argentina Alicia Fernández, autora de vários livros, entre eles ''O Saber em Jogo'', e que esteve em Londrina a convite do OPA. Ela falou sobre informação, conhecimento e saber. ''Não podemos pensar que as pessoas são máquinas e que simplesmente memorizam as informações. É precisar resgatar o tempo para construir sentido a partir das informações''. O alerta feito por Alicia Fernández foi destacado por Lélis Duarte.
No trabalho de atendimento clínico, a psicopedagoga tem observado pais preocupados em estar por dentro de todos os livros de auto-ajuda para educar os filhos. E que, segundo nota, não abrem espaço para escutar, refletir sobre o que está acontecendo e dialogar. Ela lembra o questionamento feito pela professora argentina: ''A Alicia destaca a diferença entre perguntar e fazer interrogatório. Muitos pais acham que conversar com os filhos é saber o que comeram, o que fizeram ou deixaram de fazer e quais foram as últimas notas. E se esquecem que o importante é estabelecer um diálogo que permita aos filhos expressarem seus questionamentos pessoais a respeito da vida, suas emoções, suas questões existenciais, abrindo um espaço para a escuta''.
Conectar a informação com o saber, entende a psicopedagoga, é buscar um sentido naquilo que você lê, na informação que recebe. ''É preciso refletir, pensar, confrontar as informações com as idéias e relatos da experiência'', afirma. De acordo com Alicia Fernández, a informação pode ser transformada em conhecimento. Já o saber, que vem do latim e significa ''ter sabor'', não se aprende nos livros: só pode ser transmitido de pessoa para pessoa, com base nas experiências vividas.
Apesar da ênfase que é dada à necessidade da informação, Lelis Duarte lembra que é preciso fazer a conexão com o saber que cada um vai construindo a partir de sua vivência. ''Como diz a Alicia, o saber da mãe vai dar confiança para educar o filho, e a própria confiança do profissional no saber que ele tem, o possibilita lidar com o aluno'', diz.
Formada pela escola de psicopedagogia de Buenos Aires, Lélis Duarte afirma: ''Quando tomamos consciência de algo que fazemos, nos responsabilizamos pelas coisas que passamos a acreditar.'' Ela explica que a escolha do nome projeto - OPA - foi baseada no pensamento do escritor, educador e psicanalista Rubem Alves, para quem o profissional da área deve reunir os seguintes predicados: oferecer orientação, partilha e aconchego.
Para ela, o espaço criado pelo projeto dá aos participantes a oportunidade de experimentar o aconchego quando surge a angústia de lidar com uma questão difícil, com a qual não se tem segurança. Permite, segundo a psicopedagoga, a reflexão da atividade num mundo em que cada um vai construindo o saber no dia a dia, na realidade do trabalho, e a troca do saber através da partilha. ''A Alicia (Fernández) sempre lembra que vivemos uma sociedade de excesso, do exibicionismo de objetos. Os sujeitos humanos estão sendo substituídos por objetos. As informações em excesso inibem a possibilidade do pensar e a possibilidade de nos conectarmos com o saber, que dá sentido à informação''.

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