O comércio eletrônico brasileiro deve fechar 2007 com faturamento de R$ 6,4 bilhões, resultado 45% superior ao registrado no ano passado, segundo previsão da empresa de consultoria e-Bit. Diante deste cenário otimista, surge a pergunta: o internauta está preparado para trocar o carrinho de compras pelo clique? Em entrevista à FOLHA, o diretor do Instituto Brasileiro de Peritos em Crimes Eletrônicos, Giuliano Giova, afirma que quem navega pela rede mundial para fazer compras ainda acaba sendo traído pelo excesso de confiança.

O internauta brasileiro ainda pode ser considerado inocente com relação ao comércio eletrônico?
Existe um misto entre inocência e esperteza. Em vez de tomar as cautelas necessárias, as pessoas se acham muito seguras, mas infelizmente o mundo virtual não é absolutamente seguro. É tão arriscado quanto o mundo real. O internauta acha que está protegido por trás do computador, o que não é verdade.

Por este excesso de confiança ele acaba sendo traído...
Exatamente. É o caso típico dos sites pornográficos. A pessoa acredita que alguém vai gastar seu dinheiro para montar este tipo de site e oferecer prazer para os outros. O mesmo acontece com os softwares piratas. Ninguém coloca um software pirata na rede para ajudar os outros. Eles vêm carregados de vírus. Por isso que eu digo que é um misto de esperteza e inocência. O internauta quer levar vantagem e acaba sendo prejudicado.

A recomendação então é desconfiar sempre? Quais os principais cuidados que o internauta deve tomar?
Sempre tomar cuidado. A primeira precaução é que o seu computador esteja saudável. O computador já tem uma série de proteções com o sistema operacional legalizado. A cópia pirata não protege o usuário porque não tem as atualizações e correções feitas pelo fabricante do sistema. Tem ainda a questão do antivirus, que se for atualizado constantemente vai blindar o usuário. Mas, se o computador não estiver protegido, o internauta pode até navegar em um site seguro de comércio eletrônico ou de home banking que correrá riscos.

E na hora de fazer uma compra pela internet, quais as recomendações?
Conhecer e verificar o site com o qual o internauta está transacionando. Sites conhecidos do público em geral e que a gente tem certeza que não são clonados são os melhores. Procurar referências antes de efetuar a compra é fundamental. É o mesmo procedimento de uma loja real, em que você faz a pesquisa antes de comprar.

A FOLHA noticiou recentemente o caso de um internauta que comprou um notebook e recebeu um tijolo. Ainda é muito comum este tipo de golpe?
Acontece. Nestes sites em que o vendedor é um usuário comum, existe uma série de procedimentos de segurança recomendados. O ideal é optar pelo modelo em que o dinheiro só é liberado depois que o comprador recebe a mercadoria e autoriza o pagamento. O problema está quando o usuário quer ser mais esperto e faz a negociação por fora do site, vai contra o regulamento. Aí está sujeito ao risco.

O senhor considera o comércio eletrônico uma realidade no Brasil ou ainda há muito público consumidor a ser atingido?
Pela primeira vez a humanidade vive com um pé no mundo real e um pé no mundo virtual. Hoje todos dependem da internet. Até mesmo pelo governo, com a declaração de imposto de renda, a certificação digital das empresas. Ninguém mais escapa disso, e a empresa que não está preocupada em colocar seus produtos na internet está em desvantagem no mercado. O mesmo vale para as pessoas que ainda não têm um e-mail. Elas estão ficando à margem da sociedade, como se não tivesse uma identidade, não existissem mais.

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