CUIDADO COM O BOLSO - Hora de tirar a corda do pescoço
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Surgiu mais uma promoção ''incrível'' para você: ''comprar agora e começar a pagar daqui a 40 dias''? Eis você prestes a assumir parcelas e entrar no crediário? A cena se repete diariamente. Em tempos de aumento na taxa de juros e em que até o governo decide apertar os cintos, a população deveria pensar muito bem antes de assumir qualquer compromisso. É o que recomenda o consultor financeiro e professor da PUC Londrina, Charles Vezozzo. No bate-papo com a FOLHA, ele cita a aplicação dos três 'Ps', em forma de pergunta: Posso pagar isto agora? Por que estou comprando isto agora? Preciso realmente disto agora?
Qual recomendação o senhor dá àqueles que são tentados pelas promoções de datas comemorativas?
Primeiramente, é preciso saber se a parcela cabe no bolso, ou seja, se o valor total dos compromissos financeiros já assumidos sobre a renda mensal permite assumir mais este valor. Em segundo, é importante perguntar e procurar saber a real taxa de juros calculada nas vendas a prazo, pois o preço do bem adquirido pode se tornar bem maior do que o valor inicial ofertado, no cálculo do valor final. Por último, deve-se resistir ao consumismo, que pode levar as pessoas a endividamentos excessivos e sofrimentos desnecessários. Encontro pessoas depressivas por problemas financeiros pessoais que poderiam ter sido evitados.
Considera a decisão do Ministério da Fazenda de elevar o superávit primário em mais 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) acertada?
Já que o superávit primário pode ser aumentado por meio de arrecadação maior ou corte de gastos públicos, seria muito apropriado, num momento de alta carga tributária no Brasil, que o governo reduzisse seus gastos do Orçamento, desde que não comprometesse investimentos públicos importantes e sim a folha de pagamentos, por exemplo, ao invés de aumentar impostos ou criar outros novos. Desta maneira, concordaria com o aumento do superávit primário.
Do mesmo modo que o governo fez, é hora de a população apertar os cintos?
Existe muito espaço para o governo realmente fazer sua tarefa de casa, em se tratando de redução dos gastos públicos. Quanto à população apertar o cinto, em se tratando de finanças pessoais, é sempre aconselhável e importante planejar e fazer as contas, para não se endividar demasiadamente.
Como se manter equilibrado e quais os pontos de equilíbrio, em relação às finanças?
Sempre tenho aconselhado as pessoas, por onde ministro cursos e palestras, que apliquem os três ''Ps'' quando pensar em comprar algo: Posso pagar isto agora? Por que estou comprando isto agora? Preciso realmente disto agora? Além disso, faz-se necessário conhecer a si mesmo para saber como reagir diante das diversas situações de compra, como a compulsão, o hábito de comprar ou o sistema de compensação, que são conceitos utilizados de forma similar para a comida.
O brasileiro está educado financeiramente?
Apesar de se perceber uma pequena melhora na mentalidade do brasileiro, segundo pesquisas, mais de 50% da população não tem hábito de planejar suas finanças pessoais. Quando não se coloca no papel as entradas e saídas, tem-se uma noção clara do que se pode assumir o futuro. Seria fundamental que tivéssemos cursos de curta duração e disciplinas de educação financeira para a população, para prepará-la melhor. Precisamos desenvolver mais o hábito de poupar do que o de consumir, um viés na atual realidade supercapitalista, onde o possuir vale mais do que o ser.


