CUIDADO COM A FRAUDE - Leite de saquinho é mais seguro
O Brasil produz 750 bilhões de litros de leite - somente em Londrina são processados 750 mil litros/dia. Alimento essencial, o leite passou a ter sua qualidade questionada a partir da descoberta de fraudes em diversos pontos do país. O Laboratório de Análises de Produtos de Origem Animal da UEL já flagrou, anos atrás, uma empresa fornecedora da merenda escolar que adicionava até 80% de água acima do permitido pela legislação. Portanto, fraudes são iminentes. Nesta entrevista, a coordenadora do laboratório, Vanerli Beloti, afirma que o produto vendido em saquinho é mais seguro que o longa-vida.
Como é o leite consumido no Brasil?
Temos um problema de qualidade que começou a ser enfrentado com a legislação de 2005, que estabelece parâmetros para o leite (de saquinho). Antes só havia padrões para o leite de tipo A e B. O leite C, que era a maior parte da produção, podia ter qualquer quantidade de bactérias. Hoje, o leite C, apesar de sofrer menor exigência, já passa por um controle de qualidade. Não é muito, mas é um primeiro parâmetro.
E o longa-vida? É mais perigoso?
O longa-vida não tem exigência de qualidade de origem, você pode usar qualquer tipo. Por outro lado, a pasteurização do longa-vida (UHT) é mais forte e mata todo tipo de microorganismo. Só que, com essa pasteurização, a ação positiva do leite, que vai do valor proteico à fixação do cálcio, também acaba se perdendo.
Então, qual é o melhor leite?
Para o dia a dia, o melhor é o de saquinho - de preferência o tipo A -, para crianças e idosos. Já os maiores riscos de fraude estão no longa-vida porque, como representa cerca de 70% do que é consumido, acaba sendo mais suscetível. Por exemplo, uma cooperativa tem 700 mil litros de leite, adiciona 2 mil litros de água, e isso não é nem percebido nos testes. Outra coisa, uma empresa que produz os dois tipos, destina o leite mais novo para o saquinho. Além disso, a adição do soro que sobra da produção do queijo no leite é uma fraude muito comum e de difícil detecção no longa-vida, já que o leite e o soro são substâncias muito parecidas.
Que cuidados o consumidor deve tomar?
Ele não deve se deixar seduzir somente pelas ofertas. O leite longa-vida tem um processamento caro, então quando está sendo vendido a R$ 0,90, o consumidor tem que perceber o risco da presença de soro ou outros problemas.
Como é o leite produzido em Londrina?
O leite produzido em Londrina é de excelente qualidade. O controle de antibiótico é feito em todas as carretas, embora a legislação não exija isso.
Quais os problemas do leite nas propriedades rurais?
O maior problema em nosso país está na produção, a matéria-prima já chega muito ruim na indústria. A contaminação vem, principalmente, da teta da vaca, do latão e da mão de quem ordenhou. Tem também o problema do antibiótico, que é aplicado no animal para determinadas doenças. Cada antibiótico tem um prazo de carência, que é o período em que o medicamento é eliminado pelo leite. Nesse tempo, é proibida a comercialização, mas isso às vezes não é seguido. Se for consumido, isso pode levar ao desenvolvimento de resistência ao antibiótico ou desenvolver alergias sem que a pessoa saiba a origem. Tem também a questão do agrotóxico, que muitas vezes o produtor nem sabe que está acontecendo. É uma questão ambiental bastante séria - pode vir pela água ou pela lavoura da fazenda vizinha, por exemplo. Com a nova legislação, isso melhorou, porque há uma periodicidade de análise de antibiótico que antes não tinha. Então, no caso do antibiótico hoje deve ter caído, mas a gente estima que ainda temos problema com os agrotóxicos.





