Cuba: a realidade por detrás do mito - Gonzalo Guimaraens
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 1998
Gonzalo Guimaraens 
Num dos episódios mais injustos e lamentáveis dos últimos tempos, a Comissão de Direitos Humanos da ONU, reunida em Genebra, decidiu absolver Cuba comunista, desprezando numerosas provas de violação dos direitos de Deus e dos homens na ilha-cárcere. Esse resultado foi possível, entre outras razöões, pela abstenção de vários governos latino-americanos (Uruguai, Brasil, Chile, Equador, Guatemala, México, Peru e Venezuela), que decidiram dessa maneira abandonar à sua própria sorte o desditado povo cubano.
Mas não faltam vozes valentes que denunciam a realidade do que acontece na Cuba comunista. Há pouco, foi lançado em Roma o livro Cuba: a realidade por detrás do símbolo, com informaçöões impressionantes sobre o panorama de injustiça, miséria e sangue imperante na ilha-cárcere do Caribe. Foi um terremoto psicológico que sacudiu as dependências diplomáticas da Cuba comunista naquela histórica cidade, afetando também diversas organizaçöes não-governamentais pró castristas que ali atuam.
O mal-estar dos diplomatas cubanos, registrado pela correspondente de El País de Madri, deveu-se sem dúvida ao conteúdo da obra, com dados atualizados que mostram a verdadeira face do regime de Fidel Castro. Mas também lhes doeu que a denúncia proviera de uma entidade holandesa afim com posiçöões de esquerda, como o é Pax Christi.
Com efeito, os autores do livro, jovens membros dessa entidade que viajaram a Cuba encabeçados por Erik Laan, reconhecem que chegaram à ilha-cárcere com uma atitude prévia de simpatia pelos objetivos da revolução. Mas tiveram a retidão suficiente de abrir os olhos para a dramática realidade da ilha, que contrasta diametralmente com os mitos da revolução castrista trombeteados por certos mass-media. Sobretudo, tiveram a valentia de denunciar ante o mundo essa realidade.
Nunca teríamos imaginado encontrar o que vimos, deparamo-nos com uma realidade muito diferente de nossas expectativas, reconhecem os autores, chocados com a férrea ditadura policial e psicológica, assim como com a miséria imperante. O medo é o instrumento básico de controle político, produzido por um eficiente sistema de repressão que continua muito forte, observam eles. O resultado é que os cubanos, segundo fontes por eles entrevistadas, estão psicologicamente aterrorizados. As consequências morais desse clima, segundo um sacerdote entrevistado, são devastadoras: As pessoas têm se habituado à mentira e à simulação.
As ruas e os prédios estão sumamente deteriorados, as lojas vazias, os quiosques sem jornais ou revistas, o povo sem outra coisa que fazer senão procurar meios para sobreviver, acrescenta o informe. Sobre os investimentos estrangeiros, Pax Christi assevera que continua vigente sua observação, expressa em anteriores informes, de que estes só têm servido para que o regime continue no poder, sem que tenham produzido qualquer mudança no sistema político.
Também há uma oportuna denúncia sobre o drama das populações rurais, algo praticamente desconhecido no exterior: A repressão contra os habitantes do campo, que estão mais isolados e sem contato com observadores estrangeiros, é ainda mais forte que em Havana. Similar estado de abandono é assinalado em relação às novas gerações de presos políticos: se bem que alguns presos políticos mais conhecidos no exterior têm sido liberados - num esforço de relações públicas do regime, para consumo internacional - dezenas de líderes oposicionistas menos conhecidos têm sido encarcerados, e misturados com delinquentes comuns.
Os autores lamentam que certas correntes chamadas progressistas, especialmente na América Latina e Europa ocidental, ainda não tenham aberto os olhos para a realidade da revolução. Mais ainda, nem sequer estão interessados em conhecer a verdade sobre Cuba. Por isso, é particularmente dramático o apelo transmitido por cubanos da ilha aos membros da delegação: Façam saber ao mundo a realidade cubana!
O informe de Pax Christi aponta um urgente passo prévio para que a comunidade internacional possa efetivamente ajudar o povo cubano: O mito da revolução cubana deve ser quebrado.


