Num dos episódios mais injustos e lamentáveis dos últimos tempos, a Comissão de Direitos Humanos da ONU, reunida em Genebra, decidiu absolver Cuba comunista, desprezando numerosas provas de violação dos direitos de Deus e dos homens na ilha-cárcere. Esse resultado foi possível, entre outras razöões, pela abstenção de vários governos latino-americanos (Uruguai, Brasil, Chile, Equador, Guatemala, México, Peru e Venezuela), que decidiram dessa maneira abandonar à sua própria sorte o desditado povo cubano.
Mas não faltam vozes valentes que denunciam a realidade do que acontece na Cuba comunista. Há pouco, foi lançado em Roma o livro ‘‘Cuba: a realidade por detrás do símbolo’’, com informaçöões impressionantes sobre o panorama de injustiça, miséria e sangue imperante na ilha-cárcere do Caribe. Foi um ‘‘terremoto psicológico’’ que sacudiu as dependências diplomáticas da Cuba comunista naquela histórica cidade, afetando também diversas organizaçöes não-governamentais pró castristas que ali atuam.
O mal-estar dos diplomatas cubanos, registrado pela correspondente de ‘‘El País’’ de Madri, deveu-se sem dúvida ao conteúdo da obra, com dados atualizados que mostram a verdadeira face do regime de Fidel Castro. Mas também lhes doeu que a denúncia proviera de uma entidade holandesa afim com posiçöões de esquerda, como o é ‘‘Pax Christi’’.
Com efeito, os autores do livro, jovens membros dessa entidade que viajaram a Cuba encabeçados por Erik Laan, reconhecem que chegaram à ilha-cárcere com uma atitude prévia de ‘‘simpatia pelos objetivos da revolução’’. Mas tiveram a retidão suficiente de abrir os olhos para a dramática realidade da ilha, que contrasta diametralmente com os mitos da revolução castrista trombeteados por certos ‘‘mass-media’’. Sobretudo, tiveram a valentia de denunciar ante o mundo essa realidade.
‘‘Nunca teríamos imaginado encontrar o que vimos’’, ‘‘deparamo-nos com uma realidade muito diferente de nossas expectativas’’, reconhecem os autores, chocados com a férrea ditadura policial e psicológica, assim como com a miséria imperante. ‘‘O medo é o instrumento básico de controle político’’, produzido por um eficiente ‘‘sistema de repressão’’ que ‘‘continua muito forte’’, observam eles. O resultado é que os cubanos, segundo fontes por eles entrevistadas, ‘‘estão psicologicamente aterrorizados’’. As consequências morais desse clima, segundo um sacerdote entrevistado, são devastadoras: ‘‘As pessoas têm se habituado à mentira e à simulação’’.
‘‘As ruas e os prédios estão sumamente deteriorados, as lojas vazias, os quiosques sem jornais ou revistas, o povo sem outra coisa que fazer senão procurar meios para sobreviver’’, acrescenta o informe. Sobre os investimentos estrangeiros, ‘‘Pax Christi’’ assevera que continua vigente sua observação, expressa em anteriores informes, de que estes ‘‘só têm servido para que o regime continue no poder, sem que tenham produzido qualquer mudança no sistema político’’.
Também há uma oportuna denúncia sobre o drama das populações rurais, algo praticamente desconhecido no exterior: ‘‘A repressão contra os habitantes do campo, que estão mais isolados e sem contato com observadores estrangeiros, é ainda mais forte que em Havana’’. Similar estado de abandono é assinalado em relação às novas gerações de presos políticos: se bem que ‘‘alguns presos políticos mais conhecidos no exterior têm sido liberados’’ - num ‘‘esforço de relações públicas’’ do regime, para consumo internacional - ‘‘dezenas de líderes oposicionistas menos conhecidos têm sido encarcerados’’, e misturados com delinquentes comuns.
Os autores lamentam que certas correntes chamadas ‘‘progressistas’’, ‘‘especialmente na América Latina e Europa ocidental, ainda não tenham aberto os olhos para a realidade da revolução’’. Mais ainda, ‘‘nem sequer estão interessados em conhecer a verdade sobre Cuba’’. Por isso, é particularmente dramático o apelo transmitido por cubanos da ilha aos membros da delegação: ‘‘Façam saber ao mundo a realidade cubana!’
O informe de ‘‘Pax Christi’’ aponta um urgente passo prévio para que a comunidade internacional possa efetivamente ajudar o povo cubano: ‘‘O mito da revolução cubana deve ser quebrado’’.

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