Um menor delinquente deve ser isolado do meio, porque a sociedade precisa ser protegida, mas esse infrator também compõe o tecido social e necessita de igual atendimento. O que não pode ocorrer com presos menores e adultos é o encarceramento com requinte de brutalidade e com o sentido de vingança social. Se eles são violentos, a sociedade não pode ser igual. Há autoridades que se manifestam a favor do enquadramento do delinquente mesmo com baixa idade e as que apontam o dedo para a negligência do Estado, muito ineficiente na solução da causa do menor infrator. Em tempo de tanta intranquilidade e de baixa assistência às famílias carentes, cria-se uma corrente de revolta popular ante a violência, e, na busca de soluções, nem todos os representantes do poder público falam a mesma língua. A juíza Lidia Maejima, da 2 Vara Criminal, em pronunciamento a este Jornal defende que um menor delinquente deve ir para a penitenciária a partir dos 14 anos. Já a promotora Édina de Paula, da Vara de Infância e Juventude, condena que ''um mal seja combatido com outro mal'' e diz que a iminência de punição não intimida o menor, já por natureza vivendo a prisão representada pelas necessidades. Se um criminoso está solto, é um perigo constante e não pode ficar em liberdade só pelo fato de ser menor. Ele precisa ser isolado do meio e recuperado em estabelecimento adequado e muitos existem, prestando excelente serviço. O que não pode haver é sociedade de instinto punidor, que deseje o sofrimento para o bandido e não propriamente proteger-se dele, porque com tal mentalidade não se solucionará o problema. Melhor que não houvesse infratores nem menores praticando crimes, mas se eles existem, precisam ser impedidos de continuar atormentando a sociedade. O que precisa acontecer é a mudança do sistema carcerário, que não deve ter padrão 5 estrelas mas também não pode ser um depósito humano. A reclusão não pode piorar a mente desses menores envoltos na criminalidade. Mas a causa primeira e é sempre necessário bater nessa tecla é a miséria social em que vive grande parte da população brasileira. Com chefes de família empregados e habitando moradia digna, a delinquência diminui e acabará se extinguindo. Mas nem a sociedade e nem o Governo manifestam preocupação séria com isto, porque não há programas de envergadura nesse sentido. Os projetos de desfavelamento, de habitação popular, de reforma agrária, de políticas para o emprego, são muito tímidos. Se há mais possibilidade de vagas para mão-de-obra qualificada, conforme este Jornal tem mostrado, é por mérito do empreendedorismo privado, que se expande pelo ideal de ampliação dos negócios. No caso da violência e do menor delinquente, depois que o mal se instala é necessário combatê-lo, afastando do convívio social todo tipo de fora-da-lei, mas sem desprezo de buscar a sua recuperação e sem o sentimento de revide. Contudo, o caminho para a convivência pacífica de uma comunidade trilha pela eliminação das misérias sociais. Uma tarefa paralela e muito vigorosa precisa ser iniciada nessa direção, tendo o ponto de partida no seio dos políticos que se salvam dentre os muitos igualmente infratores (que surfam impunes) e da sociedade que se proclama sábia e sã.

mockup